Comida de gente pode matar animais silvestres
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quinta-feira, 09 de outubro de 2003
Marta Medeiros<br> Equipe da Folha 
Maringá O Parque do Ingá completa hoje 32 anos e no lugar de comemorações, a administração lança um alerta para salvar os animais silvestres da reserva florestal, localizada no centro de Maringá. O objetivo é evitar que os visitantes dêem alimentos impróprios para os animais, provocando doenças que até então eram observadas apenas em humanos.
Só em setembro, 10 saguis e macacos do parque morreram vítimas da herpes, um vírus letal para os primatas. A herpes é contraída através da saliva humana que contamina restos de alimentos. Também em consequência da comida industrializada, quatis estão obesos e com cáries e outros mamíferos aparecem com gastroenterite hemorrágica.
Os saguis que tomam sorvetes e picolés morrem de doenças respiratórias. O excesso de gordura e aditivos químicos dos salgadinhos provocam sangramento no estômago e no intestino de macacos. ''O fornecimento de alimentos impróprios pode acabar com a população de primatas das reservas'', alerta a veterinária do Parque do Ingá, Evandra Voltarelli. Acostumados a comer guloseimas, os bichos recusam alimentos naturais para correr atrás de doces, salgadinhos e refrigerante.
O alerta lançado pela administração é dramático: uma exposição de painéis com fotos de necrópsia de animais mortos em consequência das doenças alimentares. 'Há anos tentamos conscientizar as pessoas com mensagens educativas, sem resultados'', afirma Evandra.
A administração também vai lançar uma reflexão sobre consciência ambiental em Maringá, festejada por suas áreas verdes e com fama de cidade ecológica, mas que tem nas reservas florestais os piores exemplos de falta de educação dos visitantes.
Mesmo diante de placas de alerta espalhadas pelo parque, macacos já morreram engasgados com embalagens plásticas, aves com palitos de sorvete e recentemente, um jacaré morreu de hemorragia depois de ter o ouvido perfurado por um pedaço de pau.
Durante a programação de aniversário serão realizadas oficinas educativas para os 40 mil estudantes que devem visitar o parque. Os alunos serão acompanhados por acadêmicos de biologia da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e do Cesumar.


