Comércio torce pelo fim da greve da UEL
A suspensão da greve dos professores, servidores e alunos da Universidade Estadual de Londrina (UEL) afasta o risco do vestibular de inverno da instituição deixar de ser realizado, mas o assunto ainda preocupa os setores da economia local. Comerciantes, prestadores de serviço e até vendedores ambulantes temem por prejuízos numa das épocas mais movimentadas do ano.
Para o presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), George Hiraiwa, a cidade deixaria de receber cerca de R$ 7 milhões injetados pelos 28.090 candidatos. O vestibular da UEL é o maior evento das férias na cidade. Se ele não ocorresse todos perderiam, mas os estudantes seriam os mais atingidos porque além do investimento financeiro temos que contabilizar também o desgaste emocional.
Os 5.340 leitos em hotéis já estão todos reservados, mas são insuficientes para abrigar as cerca de 18 mil pessoas que vem de outras cidades. Assim como os pensionatos de estudantes, os hotéis cobram parte do pagamento na reserva de vaga e, portanto, perdem menos. Mesmo assim, Newton Sborgi, vice-presidente do Sindicato dos Hotéis, Bares, Restaurantes e Similares, levanta a possibilidade dos proprietários entrarem com ações indenizatórias contra a universidade caso o vestibular não aconteça. É uma situação muito preocupante porque a maioria dos candidatos vêm de fora e depende basicamente de uma estrutura informal composta por pensões, pousadas e vagas em casas de família. São pequenos comerciantes que precisam do retorno financeiro para cobrir o investimento feito com antecedência. Isso causaria enorme dano para a imagem da cidade, que já está bastante arranhada com os últimos acontecimentos políticos.
Segundo o gerente administrativo da empresa Pátio São Miguel, Genésio Alves Rodrigues, o vestibular de inverno da UEL é responsável pelo crescimento de 100% do movimento no estabelecimento nas 24 horas do dia. O local é um dos pontos de encontro da juventude londrinense e durante essa época ferve. Para atender ao aumento na demanda Rodrigues disse que o Pátio vem se preparando desde maio. Já contratou 10 funcionários e estocou mercadoria, o que equivale a um investimento de R$ 50 mil. O proprietário da Panificadora e Confeitaria Café Brasil, Hélio Crozati, está na expectativa. Por enquanto, ele não gastou nada para receber os vestibulandos porque pode comprar tudo o que precisa em pouco tempo. Nos últimos dois anos eles vêm se espalhando pela cidade, por isso o movimento no centro caiu um pouco. Mesmo assim, espero um crescimento de 20% nas vendas.
Os candidatos aprovados neste vestibular só iniciam o curso no próximo ano e, de acordo com o presidente do Sindicato dos Corretores de Imóveis de Londrina (Sincil), Jurandir Luciano dos Santos, são responsáveis por 4% do mercado de locação da cidade. Segundo ele, essa porcentagem não é expressiva para o setor, mas é importante na rede econômica gerada pelos universitários. O cancelamento das provas seria desastrosa principalmente para a UEL que hoje tem uma imagem respeitável em todo País e leva consigo o nome da cidade, salientou Clóvis Coelho, presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon).





