Comércio resiste nas casas de madeira
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terça-feira, 27 de julho de 2010
Carolina Avansini<br> Reportagem Local 
Presentes na memória afetiva de quase todo londrinense, as tradicionais casas de madeira construídas nas primeiras décadas do município significam bem mais que patrimônio histórico para alguns comerciantes de Londrina. Em busca de imóveis bem localizados a preços acessíveis, eles optam por locar as residências em madeira que ainda resistem na Área Central.
As vantagens vão além da melhor relação entre custo e benefício. Atraídos pela história, muitas pessoas acabam entrando nos estabalecimentos por curiosidade e tornam-se clientes. De acordo com a diretora de patrimônio histórico da Secretaria Municipal de Cultura Vanda de Moraes, a ocupação das casas pelo comércio é sempre benvinda. ''A utilização acaba garantindo uma sobrevida a esses imóveis.''
Dona de uma floricultura na Avenida Juscelino Kubitscheck, a florista Katia Barzon ficou em dúvida sobre a eficiência de trocar um imóvel em alvenaria menor por uma grande casa de madeira. Dois anos após a mudança, ela colhe bons frutos. ''A casa é rústica e acabou criando uma identidade para a floricultura, que oferece muitos produtos nesse estilo. Aumentou o número de clientes, que entram em busca de arranjos ou decoração mais rústica'', contou.
Sem nunca ter morado em casas de madeira, Katia estranhou um pouco as condições térmicas do material, que costuma esquentar no verão e esfriar no inverno. ''Mas acabamos nos acostumando'', disse. Para os próximos meses, ela planeja uma reforma na fachada que, claro, será feita em madeira.
No brechó de Maria Clara Duarte, localizado na esquina das ruas Goiás e Brasil, a madeira garante o charme do negócio. ''Já morei em casa de madeira, na infância, e adoro esse design antigo'', entusiasmou-se ela, para quem o material só valoriza o negócio.
Entusiasta da rusticidade, ela revelou que arrependeu-se por não ter construído uma casa pré-fabricada em madeira quando planejou a própria casa. ''Tenho boas memórias. Lembro-me de brincar no porão da casa da minha avó'', recordou-se. O maior temor de Maria Clara, hoje, é ter de mudar-se do imóvel, que provavelmente será demolido para construção de um prédio mais moderno. ''O proprietário já avisou que teremos de sair em dezembro. Vou 'chorar' para ele deixar a gente ficar por mais um tempo.''
Na Rua João Cândido, a casa de madeira onde funciona o ateliê da costureira Hiloco Tsumura também sobrevive ao avanço do concreto. Em Londrina há 12 anos, ela instalou-se na cidade após retornar do Japão, onde trabalhou por sete anos para garantir a faculdade dos quatro filhos.
Com dois deles morando no Norte do Paraná na época do retorno ao Brasil, ela deixou o interior paulista para ficar mais próxima e acabou construindo parte da própria história num imóvel que conta um pouco da história da cidade. ''Tenho clientes que inclusive moraram nessa casa e, quando vêm trazer serviço, ficam morrendo de saudades'', revelou.
As paredes de madeira, o chão de assoalho e ''vermelhão'' e até mesmo os interruptores redondos e externos são capazes de arrancar suspiros até mesmo nos mais modernos. Novamente longe dos filhos, entretanto, Hiloco vive de malas nas mãos e planeja deixar Londrina e voltar para o interior de São Paulo assim que tiver uma boa oportunidade.


