Comércio reclama de rigidez policial
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 02 de setembro de 1998
Paulo Grein 
Especial para a Folha
Comerciantes instalados nas imediações da Praça dos Menonitas, no bairro Boqueirão, em Curitiba, estão reclamando da rigidez da ação policial no local. Eles se reuniram com o comandante do policiamento da capital para pedir que a polícia libere a praça, interditada há cerca de um mês, alegando que a polícia está espantando os clientes. Há algum tempo a praça vem sendo frequentada por arruaceiros até tarde da noite, que consomem drogas e bebidas alcoólicas, incomodando os moradores. A polícia diz que a operação continua até depois do feriado.
A praça foi interditada por causa das queixas de moradores das redondezas. Cansados dos abusos, eles encaminharam um abaixo-assinado, que chegou às mãos do governador Jaime Lerner, de quem saiu a ordem de interditar temporariamente a praça. Nas terças-feiras e domingos, a interdição chega a fechar totalmente a praça para carros e pedestres. Segundo Márcia Lugli, dona de uma lanchonete, os comerciantes querem o policiamento, mas sem bloquear a praça. Eles alegam que a ação da polícia está prejudicando o comércio na região, mas concordam que a situação passou dos limites. Nós mesmos pedimos o policiamento, mas a rigidez da polícia afastou os clientes, e muitos comerciantes já se encontram em dificuldades financeiras, diz Orival Suardi Júnior, proprietário de uma panificadora.
Segundo a polícia, já foram registradas várias ocorrências no local. Consumo e venda de drogas, bebidas alcoólicas, brigas e agressões aos moradores, inclusive dentro de suas casas. Os moradores também se queixam de que alguns casais praticam sexo dentro e até sobre os carros, na praça. O comandante do policiamento da capital, coronel Justino Sampaio, diz que a Polícia Militar vai tentar resolver o problema para moradores e comerciantes, mas a prioridade será da população. Para ele, os próprios bares, que funcionam até tarde da noite atraem os baderneiros. Alguns estabelecimentos funcionam com alvarás de lanchonetes, mas vendem bebidas alcoólicas até altas horas da madrugada. Moradores dizem que já se queixaram com os proprietários, sem obter resposta. O coronel confirma que a atuação da polícia está sendo mais rigorosa, mas nega que os policiais estejam agindo com violência. Sabemos que a clientela diminuiu, mas o mais importante é manter a qualidade de vida dos moradores, diz. A Polícia Militar vai continuar a operação até depois do feriado de 7 de Setembro, quando moradores e comerciantes serão chamados para, juntos, chegarem a uma solução para o dilema.


