Faltando menos de dez dias para o início de dezembro, mês em que tradicionalmente a criminalidade cresce, alguns comerciantes de Curitiba já começam a pedir providências às autoridades policiais para dificultar a ação de marginais. ‘‘Com o pagamento do 13º salário o movimento do comércio aumenta e o desemprego crescente e a desigualdade social acabam favorecendo a criminalidade’’, observa a responsável pelo Conselho de Bairros e vice-presidente da Associação Comercial, Márcia Schier Brok.
A pressão fez com que a Polícia Militar acelerasse um plano específico para combater o problema. ‘‘Vamos redirecionar o policiamento para o comércio à tarde e à noite, que são os horários de pico’’, anuncia o comandante do Policiamento da Capital (CPC), coronel Justino Sampaio. Desde o início da semana, a polícia vem trabalhando na implantação do Sistema de Controle Operacional (Siscop). O Siscop pretende acabar com as ocorrências policiais não atendidas assim que notificadas, a chamada ‘‘demanda reprimida’’, hoje estabilizada em 15% do total das chamadas recebidas pelo 190. Para se ter uma idéia, das 5.220 chamadas registradas diariamente pela PM, 787 não são atendidas de imediato.
Segundo Justino, o novo sistema vai funcionar como um banco de dados atualizado em tempo real, que vai proporcionar informações sobre pontos negros da criminalidade. ‘‘Vamos poder atuar preventivamente para reduzir a criminalidade’’, diz. O Siscop já vem sendo utilizado na região do 13º Batalhão de Polícia Militar, local em que foi eliminada a demanda reprimida, e o tempo de atendimento de uma ocorrência caiu de 27 para 13 minutos. O comandante do CPC disse também que deve reorganizar o contingente policial, ampliando o número de PMs nas ruas.
A Associação Comercial reconhece que a PM vem trabalhando para diminuir a criminalidade, mas vem esbarrando em dois fatores: a falta de pessoal na corporação e brechas na legislação que permitem que punguistas menores de idade sejam soltos poucos minutos depois de levados à delegacia de polícia. ‘‘São menores que já podem dirigir ciclomotores, votar, mas não respondem criminalmente por seus atos’’, reclama Márcia Brok. Proprietária de uma loja de calçados no Bairro Juvevê, Márcia Sorgenfrei, defende uma presença maior da PM nos bairros. ‘‘No Natal do ano passado não tivemos assaltos nas lojas da vizinhança, mas por sorte, pois as ruas estavam cheias e não havia nenhuma viatura para afugentar os marginais’’, disse.

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