Se o mês de janeiro tem registrado bom movimento de pessoas na cidade, há quem defenda até que o ''fenômeno'' difere bastante de anos anteriores. Para o presidente do Sindicato dos Hotéis, Bares, Restaurantes e Similares de Londrina, Alzir Bocchi, a época tem sido no mínimo ''atípica''.
''O poder aquisitivo da população melhorou bastante. No nosso setor, diria que essa primeira quinzena do ano teve 15% a mais de vendas, comparado a 2003'', comentou. Além da evolução na condição de vida, ele destaca também a liberação, no último dia 15, de mais um lote da correção do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) pelo Plano Collor como fator importante para as ruas e estabelecimentos comerciais lotados independentemente dos quatro dias de vestibular da Universidade Estadual de Londrina (UEL). ''(O movimento deste ano) Não está normal. Os vestibulandos foram embora, mas, mesmo assim, o fluxo de gente comprando e se divertindo continua em alta, que o diga o setor de gastronomia. Se Deus quiser, 2004 está espantando a insegurança que verificamos nos consumidores em 2003'', completou.
Comerciante do Shopping Popular (área central) e artesão, Carlos Soares, 40, lembrou que este ano nem poderá fechar a banca e viajar à praia, a exemplo do que proporcionava o ''marasmo'' de outros janeiros, de tão boas que têm sido as vendas. ''Muita gente vem aqui também com os parentes de outras cidades. E agora que saiu o lote de correção do FGTS, o movimento deu um salto e tanto'', verificou.
Em dois dos principais shoppings da cidade, a situação não é muito diferente. Praças de alimentação cheias em plena tarde à noite, então, a disputa por uma mesa requer paciência de sobra e gente olhando as vitrines e entrando para conferir ofertas já se tornaram rotina nessas quase primeiras três semanas do ano. O fato foi comprovado pelo gerente de marketing do Catuaí, Francisco Simões, para quem o público de fora da cidade tem feito uma diferença significativa. ''Já se tornou lugar-comum para nós ver no estacionamento do shopping muitas placas de carros de fora. O aumento no número das salas de cinema também foi decisivo'', afirmou. Na opinião do presidente da associação de lojistas do Catuaí, Rangel Tarosso, a antecipação das liquidações que geralmente aconteciam no fim de janeiro e início de fevereiro também foram determinantes. ''A maioria dos lojistas teve uma melhora significativa na primeira quinzena por essa razão. Ao que tudo indica, nosso janeiro será o melhor dos três últimos anos'', comemorou.
Por sua vez, o coordenador de marketing do shopping Royal Plaza, Marcelo Alves Barbosa, destaca que a evasão de londrinenses para a praia ou para o interior foi sentida no movimento do local. ''Mas isso só com os consumidores de maior renda. Os demais mantêm o fluxo dentro da normalidade, sempre trazendo um ou outro parente às compras'', disse.
Já no Calçadão da Avenida Paraná, o engraxate Maqssu Roger Oliveira, de 16 anos, conta que até tem visto o povo passear ''a maioria casais. Nunca vi tanto casal junto!''. Mas só passear: ''Em janeiro a clientela média de dez por dia cai pela metade. Se eu engraxasse os sapatos de todo mundo que tem passado por aqui, já estava rico'', comparou.

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