No comércio informal de Londrina não são apenas os cds piratas, utensílios domésticos e eletro-eletrônicos do Paraguai que chamam a atenção dos consumidores, mas também produtos e equipamentos para uso terapêutico. Comprar óculos de grau, por exemplo, à revelia da legislação, tornou-se um negócio lucrativo nesses espaços, a julgar pela variedade de barraquinhas que comercializam tais acessórios no centro de Londrina. É comum também encontrar aparelhos para medição da pressão arterial (esfignomamômetros), trazidos do outro lado da fronteira, e revendidos a menos de 30% do valor daqueles similares comercializados em casas especializadas e aferidos pelo Instituto Nacional de Metrologia (Inmetro).
A reportagem da Folha visitou ontem os camelódromos da cidade e constatou a facilidade em se adquirir os esfignomamômetros. Em seis barracas foi possível encontrar tais aparelhos nas versões manual e semidigital. Todos modelos mais simples que os vendidos legalmente nas lojas especializadas. Os manuais, por exemplo, custam entre R$ 25,00 e R$ 35,00, incluindo o estetoscópio, que no mercado formal é vendido separadamente ao custo de R$ 45,00. Já os semidigitais, com braçadeiras, bombas e leitor eletrônico, custam entre R$ 60,00 a R$ 65,00.
Os ambulantes alegam que a procura não é grande e que a clientela é basicamente formada por consumidores comuns principalmente idosos e hipertensos que procuram fazer a aferição por conta própria em casa. ''Têm farmacêuticos também que procuram por esses aparelhos (do Paraguai)'', relata um ambulante. Todos os aparelhos verificados pela Folha não tinham certificação de origem, sendo que os manuais de uso não estavam impressos em português e não havia sequer menção à certificação do Inmetro.
Nas casas especializadas em equipamentos médicos, tais medidores de pressão, seja o manual ou o semidigital, além da origem comprovada, contam com certificado de garantia (2 anos) e selo do Inmetro. Nos dois modelos consultados pela Folha, o preço é de R$ 196,00. A economia financeira entre os equipamentos legais e ilegais, que a primeira vista revela-se tentadora, pode custar à saúde de quem utiliza. ''Um equimento deste (sem a aprovação do modelo pelo Inmetro) pode levar a um diagnóstico equivocado'', lembra o chefe do laboratório do Instituto de Pesos e Medidas do Paraná (Ipem) em Curitiba, José Guilherme Schlapak.
Schlapak lembra que todos os instrumentos têm que ter a aprovação do modelo pelo Inmetro, pois o fabricante estará sujeito a autuação. ''Geralmente, os instrumentos vindos do Paraguai são incompatíveis com os nossos equipamentos para a aferição anual (aos quais os medidores têm que ser submetidos)'', diz Schlapak. O metrologista do Ipem em Curitiba, Ambrósio Teche, reconhece que no Estado o instituto é o responsável pela fiscalização destes produtos no mercado, mas que não há pessoal suficiente para esse trabalho.
O Ipem lançou esta semana uma campanha para conscientizar médicos, hospitais, clínicas e centros de saúde a submeterem os medidores de pressão à aferição compulsória. Em Londrina, há um ano, a agência regional do Ipem realiza entre 28 a 30 aferições por mês. Em todo o Estado, o Ipem afere média de 100 instrumentos por mês, quando sua capacidade é de 25 por dia.

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