Comércio declara guerra a caminhões
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segunda-feira, 06 de outubro de 1997
Cristine Pieske 
Curitiba
Albari RosaDesrespeitoLei diz que caminhões podem usar lado esquerdo da rua para carga e descarga, mas comerciante afirma que regras não são respeitadasA ampliação dos locais para a carga e descarga de caminhões, que diminuiu as vagas de estacionamento nas proximidades das praças Generoso Marques e Borges de Macedo, está provocando queda na atividade comercial da região central. Desde o início do ano, seis lojas do calçadão da Praça Borges de Macedo (atrás do Museu Paranaense) já fecharam por falta de fregueses. O comércio aqui já morreu, diz Nicolas Andre, que há 35 anos mantém uma loja de bolsas no local. Revoltados com o descaso da prefeitura, responsável pelas regras de estacionamento, alguns proprietários ameaçam fechar as lojas durante o dia em sinal de protesto.
Além de impedir o tráfego normal de veículos, os caminhões atrapalham também o acesso dos pedestres, diz a gerente de uma loja de armarinhos, Vera Lúcia Toporoski. Pela lei atual, os caminhões podem ocupar todo o lado esquerdo da rua para fazer a carga e descarga de mercadorias - somente o lado direito continua destinado para o estacionamento de carros pelo EstaR. A comerciante afirma que os caminhoneiros, no entanto, dificilmente respeitam estas regras e acabam ocupando os dois lados da rua. Na semana passada, um deles ameaçou bater em um motorista particular caso ele não cedesse a vaga, conta.
Os proprietários de lojas também reclamam da última regra imposta pela prefeitura, estabelecendo que no horário comercial somente caminhões com capacidade entre 1,8 e 7 toneladas e com 7 metros de comprimento podem ocupar as vagas para descarregar. Desde que este decreto entrou em vigor, no final de setembro, os comerciantes afirmam que têm sido obrigados a pagar estacionamentos particulares somente para receber as mercadorias. Se estacionamos nossas kombis ou caminhonetes por aqui somos multados na hora, diz a florista Teresinha Caldas.
O comerciante Nicolas Andre reclama que, desde o começo do ano, já recebeu oito multas por estacionamento irregular. Os caminhões ocupam toda a rua e nossa única alternativa é parar em fila dupla, diz. Segundo Andre, as regras de ocupação da rua, que dificultaram o acesso dos carros, têm afastado até mesmo os turistas. Pouca gente se dispõe a vir a pé até aqui só para visitar o museu e o Centro antigo da cidade, diz.
A gerente de equipamentos da Urbs, Lea Hatschbach, afirma que as regras de ocupação das vagas das ruas próximas às praças Generoso Marques e Borges de Macedo foram estabelecidas segundo o volume de tráfego da região. Ela diz que não existe, até o momento, qualquer plano de mudança nas regras de estacionamento dos caminhões nas áreas de carga e descarga. O estacionamento de carros nestes locais sempre foi restrito e deverá continuar assim, afirma.


