Comércio de box continua no Camelódromo
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terça-feira, 23 de setembro de 2003
Gilmar Agassi<br> Reportagem Local 
A Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) de Londrina deverá acompanhar com mais rigor as denúncias de comercialização de bancas dentro do Shopping Popular, também conhecido como Camelódromo. A direção da companhia já adiantou que as pessoas que tiverem comprado boxes não receberão os alvarás autorizando o funcionando. Além disso, elas terão que ressarcir o município pelos investimentos feitos no local.
A reportagem da Folha recebeu, na tarde de ontem, uma denúncia de que um box estaria sendo vendido no Camelódromo. Ao chegar no local, a reportagem se deparou com a banca fechada e um cartaz colocando o ponto à venda. Em poucos minutos houve uma aglomeração de pessoas no local que impediram que fosse feita uma foto do cartaz.
De acordo com o presidente da Organização Não-Governamental (ONG) Canaã, que administra o shopping, Ulisses Sabino Nogueira, o proprietário do box não informou sobre a intenção de vender. ''Acho que foi um brincadeira que fizeram com ele. Aqui nós não permitimos a venda de boxes'', garantiu. Segundo ele, o dono do box teria viajado a São Paulo.
Apesar da afirmação do presidente da ONG, uma comerciante confirmou que adquiriu seu box, há cerca de 30 dias, por R$ 12 mil. Depois de sofrer pressão por parte de outros comerciantes, em decorrência de sua afirmação, ela tentou se justificar, afirmando que comprou o box totalmente equipado e com as mercadorias. ''Ele (o ex-dono) não podia ficar no prejuízo'', disse a mulher.
A confirmação de que o box foi realmente comercializado ocorreu depois que foram confrontadas a lista com o cadastro atual dos comerciantes que dividem o condomínio do prédio e a listagem daqueles que foram selecionados para terem suas bancas no local. ''Se houve comercialização, a pessoa que comprou perderá a banca'', ameaçou Nogueira.
Logo após a inauguração do Camelódromo, em fevereiro deste ano, o presidente da CMTU, Wilson Sella, afirmou que o local foi adequado com o dinheiro público e que serveria para atender os comerciantes selecionados. ''A venda não será tolerada'', afirmou Sella na oportunidade.
O assessor de relações comunitárias da CMTU, Carlos Xavier, confirmou ontem que a companhia não vem realizando uma fiscalização no Camelódromo com o propósito de averiguar se ocorreram mudanças em relação aos comerciantes previamente selecionados. Ele esclareceu que o correto seria o comerciante informar à CMTU que estava desistindo do negócio.


