Comércio de Astorga pode demitir 400
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segunda-feira, 03 de março de 1997
Marccio W. Varella Sucursal de Maringá 
Edson GuittiQueda no consumoLojas vazias no centro de Astorga; o presidente da Associação Comercial, Sílvio da Silva, diz que vendas caíram 40% na cidade. Parte dos comerciantes não reajustou salários dos empregadosA queda de 65% nas vendas do comércio de Astorga (a 40 quilômetros de Maringá), nos dois primeiros meses deste ano em relação aos dois últimos meses de 96, pode provocar a demissão de 400 trabalhadores até junho. A previsão é da Associação Comercial e Industrial de Astorga (Acia), que tem 200 empresas filiadas, com uma média de cinco empregados, num total de 1 mil trabalhadores.
A pesquisa da Acia, feita sobre números de janeiro de 96 a janeiro de 97, mostra que a queda do índice de vendas foi de 40%. Para o presidente da Acia, Sílvio Roberto da Silva, 44 anos, dois fatores principais estão levando o comércio da cidade, de 23,5 mil habitantes, à falência.
O primeiro fator seria o reajuste de R$ 112,00 para R$ 196,00 no salário mensal do comerciário (os que têm direito à comissão recebem R$ 235,00 como garantia de salário mínimo). O aumento foi determinado por acordo coletivo em junho de 96. O segundo motivo seria a queda de 80% na área de plantio de algodão, principal produto agrícola da região.
Silva afirma que a maioria das lojas está sobrevivendo graças ao crediário. Mas quem compra a crédito tem que ter emprego. Sem trabalho no campo e no comércio, quem vai comprar? Não acredito as lojas fechem, mas vão despedir funcionários.
A maioria dos comerciantes não reajustou o salário dos empregados. Simplesmente não temos como pagar, afirma Luís Roberval da Silva Neto, 36 anos, dono de uma loja de confecções. Ele já está pensando em dispensar uma balconista, vender a loja e comprar outra menor.
Outro dono de loja que revende confecções, Jair Alves Silva, optou pelo reajuste de seus dois empregados. Imagina se um deles é demitido e recorre à Justiça? Aí vou ter pagar a diferença, os encargos e a indenização. O problema é que a legislação trabalhista foi feita de encomenda para o trabalhador.
As demissões, lembra o presidente da Acia, também poderão atingir as 40 confecções de fundo de quintal que existem em Astorga. Essas confecções têm média de seis funcionários, não pagam impostos porque não são registradas e podem até fechar.
Quebra da safraOntem de manhã, as lojas de Astorga estavam vazias. Tanto o comércio do calçadão da Avenida Getúlio Vargas, a mais importante da cidade, não registrava movimento de fregueses. Na fila do PIS e do salário-desemprego da agência da Caixa Econômica Federal, 20 pessoas aguardavam pelo atendimento.
O acordo coletivo foi fechado pelos sindicatos de trabalhadores e de comerciantes de Maringá, que têm jurisdição sobre 23 municípios da região. Essas cidades não têm sindicatos similares.
Na região agrícola de Maringá (27 municípios), a área plantada de algodão diminuiu em 80% este ano em relação à safra passada, segundo a Emater/Paraná. Em 96, foram plantados 11 mil hectares. Este ano, apenas 2,2 mil estão sendo plantados. Em 96, 3.630 trabalhadores fizeram a colheita do algodão. Este ano, a lavoura gerou apenas 750 empregos.
Os que arriscaram no plantio do algodão em Astorga já perderam a lavoura por causa da chuva, segundo o presidente da Acia. O custo do algodão é muito alto. O negócio é plantar soja.


