Comércio atrás das grades
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terça-feira, 06 de junho de 2017
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 

A sensação de insegurança tem feito cada vez mais comerciantes e prestadores de serviço adotarem uma medida drástica para poder ter uma certa tranquilidade: trabalhar no horário de expediente com as grades fechadas. Trancados, eles possuem o controle de quem pode entrar nos estabelecimentos. A reportagem circulou pelas zonas norte e leste de Londrina. Com medo da violência, os entrevistados pediram para não serem identificados e muitos não permitiram que fotografassem as grades.
A proprietária de uma clínica veterinária na zona leste instalou portas de vidro, grades e um interfone. "Quando me mudei para cá não tinha nenhum estabelecimento comercial aberto ao meu lado e havia muitos roubos", justifica. Quando os clientes chegam ao consultório, precisam tocar o interfone e por meio dele é estabelecido o primeiro contato. Posteriormente, pelo contato visual, ela decide se deixa a pessoa entrar ou não.
Um mercado de secos e molhados consegue funcionar com as grades fechadas? Pelo jeito sim. Na zona leste um comerciante instalou grades e uma campainha para controlar quem entra no seu estabelecimento, na tentativa de evitar furtos. "Os bandidos entram em três ou quatro pessoas e eu não tenho condições de cuidar de todos eles. Enquanto estou atendendo de um lado, o restante vai para o outro lado e vai colocando os produtos por debaixo da camisa. Eles levam macarrão, extrato de tomate, entre outras mercadorias", relata o proprietário, um senhor de 75 anos. "Desde que instalei as grades resolveu bastante o problema dos furtos. O movimento continua igual, porque tenho muitos anos de funcionamento aqui e as pessoas entendem essa medida. Se for cliente antigo, eu já conheço e abro a grade. Aqueles que não são clientes antigos a gente não abre", resume.
Ainda na zona leste, uma distribuidora de gás só funciona com o aceso restrito. O alambrado e o portão permanecem fechados o tempo todo e são protegidos por uma cerca elétrica. "Já tivemos assalto a mão armada e furto também. Instalamos essa cerca elétrica e mesmo assim entraram aqui. Tínhamos uns cachorros bravos e deram veneno para eles. Dependendo da pessoa, nem abrimos o portão", observa o comerciante.

VIA RÁPIDA
Na zona norte, um comerciante de bebidas recebe o dinheiro ou o pagamento pelo cartão protegido por grades de segurança e só depois entrega a mercadoria pelo vão das grades. "Se eu não estivesse com grades fechadas seria um problema grande. Elas dificultam a ação dos bandidos. Antes disso já fui assaltado oito vezes", destaca. Ele ressalta que o problema não é a falta de policiamento. "É difícil falar o que provoca isso. O policiamento passa por aqui, mas como aqui é uma via rápida, não dá para monitorar."
Um comerciante de autopeças da mesma região conta que já foi assaltado três vezes por bandidos armados. "Depois que instalei a grade melhorou muito. Os clientes não reclamaram nada por eu ter implantado esse portão, que fica fechado durante todo o expediente. Eles chegam e a gente abre. Os clientes que são suspeitos eu nem abro. Vou falar com eles no portão mesmo. É a única forma de ter um pouco de segurança", lamenta.
"A gente tem que ficar preso, porque os bandidos estão soltos. Já fui assaltada três vezes. Foi bem triste. A gente se sente refém na mão do bandido. Em um dos assaltos eram duas mulheres e achamos que eram clientes. Acho que todos deveriam colocar as grades porque a situação está bem feia", destaca a proprietária de uma loja de confecções femininas.
PM
O coronel Marcos Antônio Wosny Borba, comandante do 2º Comando Regional da Polícia Militar, ressalta que uma das razões para que haja essa criminalidade é a falta de viaturas. Entrevistado recentemente, quando veio a Londrina, o secretário estadual de Segurança Pública, Wagner Mesquita, garantiu que foram adquiridas mais de mil viaturas que já estão sendo plotadas e devem ser entregues ao governo no dia 12 de junho. Ressaltou, porém, que esse prazo depende das montadoras.


