Cerca de 30 funcionários e proprietários de ferros-velhos participaram ontem à tarde de uma reunião na Câmara de Vereadores de Londrina, com o objetivo de discutir o projeto que determina a cobertura total de estabelecimentos deste tipo, e também de depósitos, borracharias e similares. O encontro foi motivado pelas queixas dos proprietários, que alegaram ser dispendioso demais cobrir totalmente os locais de trabalho.
Na reunião, que contou com a presença de representantes da Vigilância Sanitária e da Secretaria de Fazenda, ficou decidido que o projeto de lei (retirado de pauta anteontem) sofreria alterações. O projeto é de autoria de cinco vereadores, que entendem que os materiais dos ferros-velhos poderiam reter água da chuva e se tornarem focos de dengue.
A mudança mais discutida no projeto foi com relação ao custo de cobertura. Os proprietários de ferros-velhos citaram a lei nº 8.815, que já prevê multas para donos de imóveis que não tomam cuidados contra o mosquito da dengue em suas propriedades. ''Utilizamos a lei, mas isso não garante a eliminação de focos. Mesmo que tivéssemos uma equipe grande, não seria possível fiscalizar todos os ferros-velhos a contento'', ponderou o gerente da Vigilância Sanitária, Marcelo Viana de Castro.
Os vereadores João Abussafi Filho (PRTB), Maurício Barros (PT) e Tercílio Turini (PSDB) propuseram que os ferros-velhos fossem cobertos em 50% de sua área os donos deveriam providenciar 10% de cobertura nos terrenos a cada ano, para aliviar os custos. ''90% dos ferros-velhos são áreas alugadas e mesmo 50% de cobertura em terrenos de dois, três mil metros quadrados acarretaria muitos custos. Muita gente acabaria fechando'', argumentou Paulo Roberto Ruiz, proprietário de um estabelecimento.
Os participantes da reunião chegaram ao consenso de que a cobertura de 50% seria obrigatório apenas para ferros-velhos até mil metros quadrados. Estabelecimentos acima deste tamanho terão suas metragens máximas de cobertura arbitradas numa nova reunião, que será marcada na próxima semana.
Outra alteração prevista no projeto é especificar um zoneamento, para que novos ferros-velhos não se instalem em áreas residenciais. Na reunião, um grupo de moradores da Vila Nova (área central) reclamou de um ferro-velho do bairro, que estaria sujo, atraindo ratos e baratas, e cujos veículos e caçambas estariam prejudicando o tráfego na rua Ivaí.
''O lugar é absolutamente impróprio para ferro-velho. Os imóveis da região sofreram uma desvalorização de 50% só por causa da sujeira'', criticou o presidente da Associação de Moradores da Vila Nova, Manoel Granado Ramirez. ''Estranho, nunca nos procuraram pessoalmente para reclamar. Mantemos tudo limpo e dedetizamos o lugar'', respondeu Osmar Aparecido, funcionário do ferro-velho. Os vereadores sugeriram que a questão fosse resolvida em outra reunião, que será marcada na próxima semana.
Outro item acordado foi uma classificação dos ferros-velhos, segundo o material manuseado: automóveis, sucata, metais, plástico ou papel. ''Isso deve facilitar a fiscalização. Os ferros-velhos de metal e sucata, por exemplo, precisam de autorização específica do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) para atuar'', disse Abussafi Filho.

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