Comerciantes dos mercados municipais de Londrina estiveram na manhã de ontem na prefeitura. Eles queriam falar com o prefeito Nedson Micheleti (PT) sobre possíveis consequências da lei nº 229/2004, aprovada pela Câmara de Vereadores na semana passada e que autoriza a Companhia de Habitação da cidade (Cohab-Ld) a hipotecar na Caixa Econômica Federal (CEF) os centros comerciais do Jardim Shangri-Lá (Zona Oeste), da Vila Casoni (região central), do Jardim Kennedy (Zona Oeste) e do Parque Guanabara (Zona Sul).
Os permissionários dos boxes dos mercados municipais temem que no futuro a CEF possa executar a hipoteca (que ainda não foi assinada) e que os centros sejam vendidos em leilão, o que poderia acarretar o fechamento dos estabelecimentos que funcionam nestes locais. Ontem, Nedson estaria num compromisso fora da prefeitura e não pôde falar com os comerciantes, que não haviam marcado horário. Com isso, os permissionários foram até a Cohab-Ld, cujo presidente, Carlos Eduardo de Afonseca e Silva, os recebeu.
No encontro, ficou combinado que será marcada uma reunião com o prefeito, a ser realizada nos próximos dias com a presença de Afonseca. De acordo com o presidente da Associação dos Permissionários do Mercado Shangri-Lá, Luiz Alberto Pozza, representantes dos quatro centros comerciais estiveram ontem na prefeitura.
''Nossa intenção era negociar com o prefeito. Não temos propostas específicas. Queremos apenas saber o que pode ser feito para nos dar alguma garantia'', comentou ele. Na semana passada, numa reunião na Cohab-Ld entre Afonseca e representantes do Mercado Shangri-Lá e da Câmara, ficou combinado que as assessorias jurídicas da companhia de habitação e do Legislativo municipal estudariam formas de oferecer garantias aos permissionários no contrato da hipoteca.
As possibilidades a serem levantadas seriam apresentadas numa reunião que aconteceria na tarde da próxima quarta-feira na Câmara, mas que foi cancelada: devido ao feriado de Corpus Christi, a sessão do Legislativo de quinta foi antecipada em um dia. Até o final da tarde de ontem, a data de um novo encontro não havia sido marcada.
Afonseca argumentou que a hipoteca é uma ''garantia'' para que o governo federal continue destinando recursos para a construção de unidades habitacionais em Londrina. Ontem, o presidente da Cohab-Ld reafirmou que a prefeitura não terá necessariamente que entregar os mercados caso a CEF decida executar a hipoteca. ''A dívida pode ser convertida em contratos de retorno, ou os imóveis da hipoteca podem ser trocados'', garantiu.

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