Paulo Pegoraro
De Cascavel
Músicos ‘‘ambulantes’’ que eventualmente se apresentam no Calçadão de Cascavel receberam ordem de fiscais do município para que deixassem o local ontem, sob alegação de que não tinham licença, argumento utilizado por comerciantes da região central da cidade para exigir a intervenção da prefeitura. Os comerciantes também reclamam do ‘‘barulho’’ das músicas que, segundo eles, atrapalharia o atendimento a clientes. Os artistas populares se apresentaram normalmente, amparados em uma autorização obtida na Secretaria de Cultura.
Os músicos conseguem atrair considerável número de pessoas, mesmo que por alguns minutos, porque se exibem de graça, apenas oferecendo fitas e cds que gravaram. Ontem, estavam no Calçadão um grupo peruano e o violonista Iurgen Wentz, 34 anos, gaúcho, que executa clássicos populares com seu violino elétrico, acompanhado de play-back (som de bateria gravado). Nos intervalos das músicas, os artistas recebiam manifestação de solidariedade dos populares, revoltados com a tentativa dos fiscais (da Secretaria de Finanças) de impedir as apresentações.
Um dos fiscais disse que eles teriam que obter licença e pagar taxas para se apresentar. Os comerciantes, que pressionaram a prefeitura, alegam que pagam impostos regularmente, enquanto os músicos vendem fitas e CDs irregularmente. Iurgen Wentz, por exemplo, cobra R$ 10,00 por um CD que é vendido pela mulher, Rejane, 30 anos. O casal, que mora em Porto Alegre (RS) e tem três filhos, permanece dois ou três dias em cada cidade. ‘‘Em nenhum lugar vimos a ditadura que tentam nos impor aqui’’, disse Iurgen.
Entre os que ouviam o violonista, o vendedor Mário Onilson Soltieri, 39 anos, disse que ‘‘é um absurdo querer impedir a arte popular’’. ‘‘Os músicos alegram o povo e ganham seu dinheirinho sem precisar mendigar, ou pior, roubar, num tempo de tanto desemprego’’.

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