Comerciantes temerosos com fechamento da Sergipe
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segunda-feira, 14 de abril de 2014
Celso Felizardo<br>Reportagem Local 
Londrina Comerciantes da Rua Sergipe (área central de Londrina) estão temerosos com o possível fechamento do trânsito de veículos nas 11 quadras (1,3 quilômetro) da via entre as avenidas Higienópolis e Leste-Oeste. Em reunião com diretores da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil) e lojistas, na semana passada, o prefeito Alexandre Kireeff (PSD) sugeriu a exclusividade de pedestres aos sábados. Kireeff pediu estudos de viabilidade à Secretaria de Obras, Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul) e Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU).
A maioria dos comerciantes entrevistados está preocupada com os efeitos da mudança. A vendedora Layane Fernandes Tavares disse que o movimento de veículos em frente à loja é muito importante. "Muitos passam de carro ou de ônibus, olham os produtos e depois voltam pra comprar. Se fechar o trânsito, a força da vitrine pode ser afetada", opinou.
O gerente de um restaurante, Paulo Moraes, disse que ainda não decidiu se a mudança traria mais benefício ou prejuízo. "É uma questão delicada, pois demanda de um estudo completo. São muitos setores afetados", alegou. O vendedor João Carlos Carvalho acredita que a mudança traria muitos transtornos no trânsito e, por consequência, no comércio. "Não vai funcionar, é melhor deixar como está."
O fechamento do trânsito foi defendido pela maioria dos pedestres ouvidos pela reportagem. "A ideia é boa, pois poderemos fazer as compras com tranquilidade, sem ter que disputar espaço com os veículos", defendeu o auxiliar administrativo Edvaldo Fortes Machado. Na opinião da cabeleireira Ângela Maria Costa, para o pedestre ser realmente beneficiado, o trânsito terá que fluir bem nas outras ruas. "Não adianta ter conforto aqui e na hora de ir embora enfrentar engarrafamentos nos carros ou ônibus."
O estudo de impacto no trânsito segue em fase inicial e não há previsão para ser concluído. O desafio será desviar o corredor de ônibus que passa pelo local. Segundo alguns motoristas, o desafio será grande. "Embaixo tem o Terminal Central (Rua Benjamin Constant) em cima o Calçadão da Avenida Paraná, que já é fechado. Por onde os veículos vão passar?", questionou o mecânico Carlos Oliveira.
Na reunião, o prefeito Kireeff garantiu que haverá o fechamento em caráter experimental, mas que a medida só será adotada se houver viabilidade técnica garantida. O projeto faz parte da "Reinvenção da Rua Sergipe", que abrange a reforma das calçadas, iluminação e paisagismo, e inovações estéticas dos estabelecimentos.
Os mais relutantes com a mudança são os donos de estacionamentos da Rua Sergipe. Milton Cezar de Moraes está há 12 anos no mesmo ponto. Segundo ele, o sábado é o maior movimento. Quase 200 veículos passam pelo estacionamento nos dias mais movimentados. "Certamente terei que demitir funcionários se esse absurdo for aprovado. Espero que fique apenas no papel", criticou.
Moraes lembrou dos transtornos causados pela reforma da Sergipe, no ano passado. "Se o fechamento de uma quadra por uma semana já causou um caos neste centro, imagina a rua inteira. É inviável", rechaçou. "As pessoas estão preferindo shopping porque tem estacionamento fácil. Elas querem parar o mais próximo possível da loja. Se tiverem que estacionar longe, podem deixar de vir aqui."


