Comerciantes se unem contra a insegurança
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quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
Vítor Ogawa <br> Reportagem Local 
O medo de ser assaltado fez com que os comerciantes da Rua Quintino Bocaiúva, na Área Central de Londrina, se unissem no projeto Empresa Vizinha Solidária. Doze comerciantes e prestadores de serviços da via fixaram em suas fachadas placas identificando a adesão ao programa, que promove a troca de telefones, a utilização de alarmes e permite que todos se comuniquem também pela internet. A proposta é de um vizinho alertar o outro em caso de aparecer alguém suspeito. A sensação de insegurança que uniu essas pessoas agora está possibilitando que elas criem laços de amizade.
A proprietária de um salão de beleza, Maria José Zimmermann, relata que o projeto surgiu depois que ela sofreu uma tentativa de assalto. ''Um rapaz fingiu que queria cortar o cabelo, colocou a mão debaixo da camiseta e apontou para mim, passando a ideia que estava armado'', relembra. Ela conta que, aproveitando um descuido do assaltante, entrou no banheiro e telefonou para o bar da frente pedindo socorro. ''Três homens que estavam jogando sinuca o tiraram do salão'', relata. Logo depois, conta Maria José, entrou em contato com o seu vizinho e sugeriu o Empresa Vizinha Solidária.
Outro participante do programa, o empresário explica que a vida moderna afastou as pessoas e que o projeto permitiu que os comerciantes voltassem a ter uma convivência. ''Hoje em dia as pessoas realizam várias atividades e nem cumprimentam o vizinho; que desde que implantamos o projeto nos aproximamos mais'', observa.
O proprietário de uma loja de material elétrico e hidráulico, Rafael Noveli, que foi assaltado no ano passado, conta que todos estão mais integrados. ''Se entra alguém que você nem desconfia e o outro vizinho está de olho e pergunta se está tudo certo acaba inibindo aqueles mal intencionados'', relata.
O dono de uma bicletaria, Silas Vicente, também foi vítima de um assalto no ano passado. Cinco pessoas entraram em sua loja e levaram cinco bicicletas e dinheiro do caixa. ''Nós tivemos que ser assaltados para nos unirmos. Como pode uma coisa dessas?'', questiona. Ele afirma que a vida moderna afastou as pessoas e esse projeto pode ser uma oportunidade para que as pessoas se aproximem cada vez mais. ''Antes eu não sabia nem o nome de meu vizinho e agora já conheço um pouco mais e estamos formando vínculos fortes entre a gente'', ressalta.


