Kraw PenasImpasseEnquanto comerciantes se queixam, a administração da Rua da Cidadania da Matriz nega que a queda nas vendas seja causada pela construção do Mercado Central, lembrando que agora os comerciantes não precisam enfrentar sol, chuva e problemas de segurançaÀs vésperas de completar dez meses de funcionamento, o Mercado Central da Rua da Cidadania da Matriz, na Praça Rui Barbosa, em Curitiba, continua sendo um projeto duramente criticado pelos comerciantes que foram transferidos para o local. A maioria deles, principalmente os que vendem frutas e verduras, reclama dos baixos índices de venda e dos prejuízos que vem acumulando nos últimos meses. Até mesmo os artesãos, que têm a vantagem de comercializar produtos não-perecíveis, se queixam da falta de clientes. ‘‘O valor das vendas caiu muito desde que saímos da praça’’, diz Nilcéia Doudat, vendedora de brinquedos.
Os comerciantes acusam a prefeitura de dar pouca atenção à divulgação do mercado, que acabou restringindo a atuação dos ambulantes. ‘‘Perdemos nosso público-alvo, formado pelas pessoas que antes desciam dos ônibus e passavam pelas barracas’’, diz a vendedora de frutas Maria de Lurdes Rodrigues. Sem ter para quem vender, sua colega Maria de Lurdes Paim afirma ter de jogar fora diariamente quase metade dos produtos que comercializa. ‘‘Nunca precisei fazer isso durante os 17 anos que fiquei na Praça Rui Barbosa’’, reclama.
Além da falta de propaganda, os ambulantes e artesãos se queixam do valor das taxas de manutenção cobradas pela empresa Urbanização de Curitiba S.A. (Urbs). Atualmente, cada vendedor paga à Urbs a quantia de R$ 70 por mês para bancar os custos com serviços de limpeza, vigilância da Guarda Municipal, luz e água. ‘‘O valor é muito alto se comparado ao volume de vendas que tem sido realizado no mercado’’, afirma o presidente da Associação Condomínio do Mercado Central da Rui Barbosa, Ricardo Bello. Segundo ele, existe um consenso entre os comerciantes de que a cobrança da taxa é justa, mas o preço da tarifa é que tem sido questionado.
Há alguns meses, os vendedores fizeram vários abaixo-assinados endereçados à prefeitura pedindo mudanças na forma de administrar o Mercado Central. Segundo o presidente da Associação Condomínio, poucas reivindicações foram atendidas. A principal delas, afirma Bello, pede mais liberdade aos comerciantes, submetidos a regras ‘‘muito severas’’. ‘‘A construção do mercado acabou com a espontaneidade da feira livre, e hoje não podemos nem sequer personalizar nossas barracas’’, diz.
Para tentar movimentar o comércio no local, os ambulantes e artesãos da Rua da Matriz passaram a adotar estratégias dos grandes centros de compra para atrair clientes e superar os prejuízos. Promoções de preços e sorteios de eletrodomésticos para compras acima de R$ 3 começaram a ser feitas para tentar trazer o público de volta às lojas. ‘‘Cultivar o cliente é nossa única esperança’’, diz Bello.

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