Comerciantes rejeitam futuro binário
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segunda-feira, 06 de julho de 1998
Adriana Ribeiro 
Leandro TaquesEverson Piegel com o abaixo-assinado contra a mudança: Onde o tráfego flui em mão única há muita velocidade, o que faz com que os motoristas não paremUm projeto da prefeitura está colocando frente a frente a administração municipal, moradores e comerciantes instalados nas ruas Augusto Stresser e Dr. Goulin, no bairro Hugo Lange, em Curitiba. O motivo do conflito é a construção de um binário, que visa distribuir de uma melhor forma o tráfego de veículos nas duas vias paralelas. A idéia é fazer com que a Augusto Stresser tenha apenas um sentido, indo do bairro para o centro, enquanto a Dr. Goulin recebe o tráfego no sentido contrário.
Mas, enquanto a prefeitura projeta a obra para melhorar o caótico trânsito da Augusto Stresser, a maioria dos moradores e comerciantes das duas ruas protesta. Os empresários que possuem estabelecimentos na Stresser reclamam que o projeto prejudicará o comércio, trazendo prejuízos. É o que não acontece com os comerciantes da tranquila Dr. Goulin, que vêem na obra um empurrão para o aumento da clientela. Mas é essa ampliação do número de fregueses, e de seus carros também, que faz com que os moradores da mesma rua temam perder o sossego desfrutado durante anos.
O projeto do binário da Augusto Stresser e Dr. Goulin faz parte do Programa Cidadão em Trânsito. José Álvaro Twardorski, coordenador do programa, diz que a polêmica obra será implantada no ano que vem, mas que ainda não há data marcada, por depender de liberação de recursos. Para construí-la a prefeitura estima gastar R$ 400 mil, que serão usados no alargamento da rua Dr. Goulin, pavimentação, recapeamento, abertura de passagem de nível na linha férrea, sinalização e iluminação. A previsão é que o serviço esteja concluído três meses depois de seu início.
Acostumados a verem circular em frente a seus estabelecimentos cerca de dois mil veículos por hora nos horários de pico, os comerciantes da Augusto Stresser chegaram a fazer um abaixo-assinado que recebeu 79 assinaturas de empresários da rua. O documento foi levado em mãos ao presidente da Assembléia Legislativa, Aníbal Khury, e ao secretário estadual da Administração, Reinhold Stephanes Júnior, segundo Everson Piegel, proprietário do Auto Posto Social. Tudo para tentar fazer com que o projeto não saia do papel.
Piegel diz que a medida dificultará o comércio. Onde o tráfego flui mão única há muita velocidade, o que faz com que os motoristas não parem, argumenta. Ele diz que isso aconteceu na Avenida Erasto Gaertner, no Bacaheri, que também passou a ter apenas um sentido, onde ele fez uma pesquisa. Todos estão chateados porque o movimento caiu, comenta.
É o que teme o farmacêutico Pérsio Gatti. Ele diz que o maior movimento no comércio acontece na volta das pessoas para casa. Se a Augusto Stresser ficar somente com o sentido bairro-centro, teremos uma queda de 90% nas vendas, garante. A proprietária da Adega Franco, Maristela Franco, também prefere o tráfego em mão-dupla. Segundo ela, assim o estacionamento fica facilitado.


