A implantação da Zona Azul há cerca de cinco meses em Santo Antônio da Platina, regulamentando o estacionamento no centro da cidade, está causando revolta em comerciantes e motoristas. O programa, controlado por guardas mirins, funciona de segunda-feira até sábado das 8 horas às 18 horas.
‘‘Se já sou contra a Zona Azul em cidade grande, imagine em uma cidade do tamanho de Santo Antônio da Platina, com 40 mil habitantes’’, reclama o gerente de loja Edson Eleuterio. ‘‘Não me importa ajudar a Guarda Mirim, até acho que eles fazem um bom trabalho, mas não dessa maneira’’, acrescenta. Ele diz que quem trabalha no comércio ou nos bancos paga por mês R$ 20,00 para usar a Zona Azul, mas só têm cinco minutos de tolerância após o vencimento do cartão.
‘‘Os clientes agora chegam e saem correndo, nem dá tempo de a gente vender porque todos estão de olho no vencimento do cartão’’, diz a vendedora Vera Lúcia Gonzaga da Costa, 34 anos.
O vendedor de carros Milton Miquelino Ribeiro, 58 anos, reclama que teve desvantagem com a Zona Azul. ‘‘Quando nós, vendedores de carro, ficávamos na praça, o movimento era bem maior. Agora que fomos forçados a sair do local de movimento, as vendas caíram’’, queixa-se. ‘‘Somos aproximadamente 20 vendedores, mas não tentamos resolver o problema porque ninguém ouve o que temos para reivindicar. Ainda somos considerados picaretas’’.
Para o trânsito, no entanto, o estacionamento regulamentado trouxe vantagens. ‘‘Qualquer Zona Azul é benéfica para o trânsito. O fluxo de veículos melhorou bastante e não há mais filas duplas’’, justifica o capitão Sebastião Carlos Fernandes, 42 anos, da polícia de trânsito.
O projeto de lei da Zona Azul é de autoria do vereador Luciano Dias de Oliveira (PDT) e foi aprovado pela Câmara em 1993. Mas somente há dois anos é que cerca de 50 adolescentes da Guarda Mirim vêm recebendo treinamento para o serviço.
Para os meninos da Guarda Mirim, a Zona Azul foi uma ótima opção. ‘‘É um trabalho importante porque orientamos os motoristas. Além disso, ganho um dinheirinho e posso ajudar minha mãe’’, diz a estudante Marcela Mendonça, 15 anos, que trabalha há quatro meses na Zona Azul e ganha meio salário mínimo (R$ 65,00).
O estudante Ronaldo César Mendes, 15 anos, emite de seis a oito fichas por dia. ‘‘Muita gente diz que vai ficar só cinco minutinhos, mas aí passa 10, 15 minutos, é sempre assim. Se alguém se nega a pagar, nós anotamos a placa do veículo e entregamos para a fiscal, que emite a multa’’.

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