Comerciantes reclamam
de onda de assaltos
‘‘Estamos inseguros.
Hoje não passou nenhum
carro de polícia’’,
diz comerciante
Ana Clara Garmendia
Especial para a Folha
Mauro FrassonUma onda de assaltos está preocupando os comerciantes da Rua Augusto Stresser, no bairro Hugo Lange, em Curitiba. Todos eles reclamam da vulnerabilidade pela falta de policiamento na rua e passaram, depois de experiências que não querem repetir, a investir na segurança de suas lojas.
O comerciante Antonio de Souza teve sua revistaria assaltada oito vezes no último ano. Proprietário da loja há 15 anos, ele está em pânico com a frequência das invasões.
Mauro FrassonA preocupação é tanta que Souza está fechando uma hora mais cedo para evitar a noite, horário em que os assaltos são mais frequentes. ‘‘O abalo psicológico é enorme, embora o prejuízo financeiro não seja grande porque eu nunca tenho muito dinheiro aqui’’, afirma. ‘‘Meus funcionários estão tão amedrontados que até pensam em parar de trabalhar. Nós estamos totalmente inseguros. Hoje não passou nenhum carro de polícia por aqui’’, denuncia o comerciante. Para ele, um patrulhamento ostensivo na região minimizaria o problema.
Mauro FrassonAs lojas da Rua Augusto Stresser, no Hugo Lange (à esq.), são alvo constante dos assaltantes. Antonio de Souza, (abaixo, à esq.), assaltado oito vezes no ano passado, diz que seus funcionários estão com medo de ir trabalhar. Maria Helena Pazini (abaixo, à dir.) resolveu contratar um segurança para sua loja

Maria Helena Pazini, proprietária de uma loja de produtos infantis em funcionamento há apenas dois meses, foi roubada duas vezes na última semana e também reclama da falta de policiamento. Maria Helena diz nunca ter visto uma viatura passar pela rua.
‘‘Na primeira vez um jovem bêbado e drogado entrou na loja e pegou um produto. Conseguimos recuperar a mercadoria e mandá-lo embora. Da segunda vez a loja estava cheia, entraram dois rapazes, roubaram uns produtos da vitrine e foram embora sem que a gente percebesse’’, conta.
Como não acredita na eficiência da polícia, a própria lojista pretende investir na segurança da loja. Vai instalar um alarme e contratar um segurança para ficar na porta da loja. Maria Helena admite serem medidas paliativas, levando em consideração os inúmeros casos em que os próprios seguranças estão envolvidos em assaltos. ‘‘Sei que mesmo tomando todas essas medidas de segurança ainda corro riscos’’, disse.
A farmácia Drogamed também foi alvo de dois assaltantes armados há cerca de 15 dias.

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