Um forte mau cheiro vem incomodando moradores e comerciantes das proximidades do terreno localizado entre a Via Expressa e a linha férrea, na Zona Leste de Londrina, onde funcionou durante vários anos a fábrica da Anderson Clayton e, posteriormente, a Coinbra Comércio e Indústrias Brasileiras. O período de chuvas teria intensificado o odor, que no caso de alguns estabelecimentos, chega a espantar os clientes.
''Os dois últimos finais de semana foram os piores. Procurei explicar a situação para os clientes mais conhecidos, mas outros se levantaram e foram embora'', afirma o proprietário de restaurante Lucas Hruschka. Ele lembra que o cheiro forte de soja sempre foi sentido na região enquanto a indústria funcionou no local, mas ultimamente piorou muito. ''Agora exala coisa podre'', diz.
A proprietária de uma revenda de água mineral e polpa de fruta, Maria Lúcia Lourenço, confirma os problemas causados pelo odor. ''Dependendo da posição do vento o cheiro fica mais intenso. Nesta hora, quando chega um cliente, é bem constrangedor porque dá a impressão que o problema é aqui no estabelecimento.'' Segundo a comerciante, o odor se agravou de 10 dias para cá.
A reportagem da FOLHA percorreu o terreno da antiga fábrica e constatou a existência de reservatórios com água parada e restos de soja processada em decomposição. No imóvel de 257 mil metros quadrados, várias pessoas trabalham na demolição de barracões e corte de árvores. O local vai abrigar um grande empreendimento imobiliário, denominado Marco Zero, onde será instalado um complexo turístico, comercial e cultural.
Segundo a advogada Andresa Rezende, consultora da Geopar Ambiental, empresa contratada para realizar um estudo do passivo ambiental da área, o cheiro sentido na região é mesmo de matéria orgânica em decomposição. Ela explica, porém, que os resíduos ainda não podem ser retirados, até que saia o resultado de sua análise e classificação por parte de um laboratório especializado. ''Isto é importante para definirmos o tipo de tratamento que o material deve receber antes de ser retirado e em que tipo de aterro deve ser descartado'', informa a advogada, lembrando que todo o trabalho está sendo acompanhado de perto pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP).
Ainda de acordo com Andresa, a empresa de consultoria ambiental atua no local desde outubro e também aguarda o resultado de análises de resíduos químicos retirados dos antigos laboratórios. Neste caso, porém, o material foi acondicionado provisoriamente, até que se defina a melhor destinação. ''Temos que analisar inclusive a possibilidade de danos ambientais para, se for o caso, propor as medidas mitigadoras (capazes de amenizar) e compensatórias ideais.''

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