Um espaço amplo na Área Central, com arquitetura das fachadas das lojas em destaque, aliando funcionalidade, beleza estética e preservação do patrimônio histórico. Esta pode ser a descrição do Calçadão de Londrina num futuro próximo. Para tornar realidade o sonho do Centro revitalizado, uma comissão formada por lojistas, moradores e poder público está debatendo as obras prioritárias da região.
Uma das possíveis modificações é a retirada do coreto. Inaugurado em setembro de 1991, o espaço, segundo comerciantes da região, é pouco utilizado para eventos culturais e serve de ''mocó'' durante as noites. A opinião é corroborada pelo presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), José Augusto Rapcham. ''Hoje, o coreto é mais um palanque. Não tem a destinação adequada. Um coreto, pra ser utilizado, teria que ter outras dimensões'', opinou.
Além da retirada do espaço cultural, outras hipóteses foram debatidas num encontro ontem, que contou com a presença do prefeito Nedson Micheleti (PT). A meta da comissão é conciliar os interesses dos projetos do poder público municipal com as reivindicações dos lojistas. A celebração de parcerias com a iniciativa privada para viabilizar os investimentos também está prevista.
Para o presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Gabriel Ribeiro de Campos, a revitalização do Calçadão é uma continuidade do trabalho realizado pela administração de Micheleti. Ele citou a retirada dos camelôs e dos artesãos de espaços abertos na Área Central e a reforma da Praça Marechal Floriano Peixoto. Sobre a possível retirada do Coreto, ele disse que irá esperar que a comissão chegue a uma conclusão.
As possíveis intervenções foram divididas entre as de fácil realização, como reforma de um e fechamento de outros banheiros, e as complexas, como a colocação de fiação subterrânea. ''É uma obra viável, que fica boa. Mas não é um projeto que se decida da noite para o dia'', ressaltou Campos.
Conciliar desejos de comerciantes e da prefeitura não é a única preocupação do grupo formado para debater a revitalização. Também existe a necessidade de preservar a memória da cidade. O trabalho tem acompanhamento da diretora de patrimônio histórico-cultural da Secretaria Municipal de Cultura, Vanda de Moraes.
Segundo ela, o coreto poderia ser retirado porque é recente, não recebeu tombamento pelo município nem cumpre sua finalidade. Por outro lado, a possível retirada do petit-pavet depende de uma discussão mais aprofundada. ''Para uma cidade que tem 70 anos, os 27 do petit-pavet não é um tempo desprezível'', avaliou. O aproveitamento das fachadas históricas, para ela, podem conferir uma visual diferenciado para o Calçadão. ''Nossa contribuição é para que a revitalização do Centro seja adequada'', acrescentou.
Outras idéias debatidas são a renovação do mobiliário (bancos e lixeiras) e a extensão do Calçadão na Rua Santa Catarina até a Mato Grosso. A próxima reunião da comissão está marcada para quinta-feira que vem.

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