Comerciantes protestam por mais segurança
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sexta-feira, 29 de junho de 2007
Adriana Ito<br>Reportagem Local 
Dezenas de lojas da rua Benjamin Constant e proximidades, no centro de Londrina, fecharam suas portas entre as 9 e as 10 horas da manhã de ontem, em um protesto por mais segurança no comércio local. Sofás e colchões ajudaram a parar o trânsito, e, munidos de faixas, apitos e narizes de palhaço, cerca de 100 manifestantes fizeram uma passeata partindo da rua Benjamin Constant, passando pela Professor Hugo Cabral, Calçadão, ruas São Paulo, Sergipe e João Cândido.
''A nossa loja já foi assaltada cinco vezes este ano'', ''já fomos assaltados duas vezes este ano'', ''nós fomos assaltados duas vezes em menos de um mês'', ''a minha loja graças a Deus ainda não foi, mas os meus vizinhos sim'', ''tem loja que é assaltada quase todo mês'', ''tivemos um prejuízo de mais de R$ 45 mil'', ''vivemos correndo risco de vida, saímos de casa para trabalhar sem saber se vamos voltar''. Esses foram alguns dos depoimentos colhidos pela reportagem durante o protesto. E todas as pessoas entrevistadas sugeriram mais policiais e viaturas nas ruas como uma das possíveis formas de se coibir a criminalidade no comércio e na cidade de forma geral. ''Com mais policiais, o ladrão pensaria duas vezes antes de agir, ficaria com medo. E o socorro após uma ocorrência viria mais rápido'', comentou Valdecir Paschoal, mostrando dois boletins de ocorrência, de roubos acontecidos nos dias 19 e 28.
Trabalhando no comércio londrinense há 30 anos, Paschoal contou que já teve um revólver em sua cabeça, e lembrou que o prejuízo em um assalto vai além do material. ''Nós vivemos com medo, fica difícil. Ou colocam mais policiais nas ruas ou nós teremos que fechar as portas um dia'', previu. ''E não adianta nem pensar em sair do emprego, porque os assaltos acontecem em todo lugar'', complementou o vendedor Claudemir Galor, que também já se viu ameaçado por ladrões.
Para os vendedores Luiz Carlos Ferreira Gomes e Wagner de Giuli, porém, só o reforço no policiamento não basta. ''Quem pratica esses roubos são menores. Eles são presos, mas logo estão aí soltos para cometer mais crimes, porque a lei os protege. Eles tinham que ficar presos'', sugeriram.
Por onde passavam, os funcionários iam ganhando a solidariedade dos outros lojistas. Uma loja da rua Sergipe chegou até a abaixar as portas, para demonstrar o seu apoio à causa. ''Nós fomos assaltados ao meio-dia e meia, e a polícia demorou para chegar. Antigamente haviam dois policiais que circulavam por aqui, agora não tem mais. E a gente não tem dinheiro para pagar um segurança além dos impostos que já pagamos'', justificou o gerente Jorge Duarte.
Por meio da assessoria de imprensa, o prefeito Nedson Micheleti admitiu o problema, mas pediu ponderação aos comerciantes e que eles encontrem uma maneira diferente para protestar.
Para ele, este é um momento positivo para a cidade, de atração de novos investidores, inclusive internacionais, além do aquecimento do setor de construção civil e uma notícia de repercussão nacional, como o manifesto dos comerciantes, poderia retrair a vinda de empresas para Londrina, bem como diminuir as vendas dos próprios lojistas.
Ainda conforme dados da assessoria, a Prefeitura tem buscado junto ao governo estadual mais recursos e já investiu, entre 2005 e 2006, quase R$ 4 milhões em recursos para o Fundo de Reequipamento do Corpo de Bombeiros (Funrebom) e mais R$ 600 mil para a polícia, com a compra de motos, coletes a prova de bala, instalação de módulos policiais, entre outras ações.


