Cerca de 800 empresários e funcionários do comércio de Foz do Iguaçu participaram ontem de uma passeata em protesto aos altos índices de criminalidade na cidade. Por voltas das 16 horas, centenas de lojas fecharam as portas para dar início ao manifesto.
Durante uma hora, os participantes caminharam gritando palavras de ordem e levando faixas e cartazes pedindo o fim da violência. A maioria trabalha na Vila Portes, bairro próximo à Ponte da Amizade, que concentra cerca de 90 mil sacoleiros todas as semanas e que vem registrando um número crescente de assaltos nos últimos meses.
O presidente da Associação Comercial e Industrial da Vila Portes (Assoportes), Ranulfo Batista da Silva, disse que pelo menos um representante de cada um dos 460 estabelecimentos comerciais do bairro participou do protesto. ‘‘Não aguentamos mais tanta violência na região’’, comentou Silva, destacando os assaltos a hotéis (4 somente anteontem) e até mesmo roubo à agência do Banco do Brasil do bairro, ocorrido há uma semana e que resultou em um policial ferido com um tiro na cabeça.
Para os empresários da região, a falta de segurança estaria assustando os compristas. Segundo o empresário Ismail Mohamed, 33 anos, nesta época do ano havia vagas para até cinco funcionários temporários, mas disse que está tendo dificuldades para manter o quadro de empregados devido a redução de 40% no movimento da loja.
O comando da Polícia Militar informou que houve um aumento do efetivo que circula no bairro de 15 para 26 homens e que a Operação Verão, prevista para iniciar em dezembro, trará outros 40 PMs à região de fronteira.
Os comerciantes reconheceram a iniciativa da polícia, mas temem que a manutenção dos policiais no local seja apenas temporária. ‘‘Queremos segurança para toda cidade. Tanto para o comércio, quanto para as residências dos moradores’’, afirmou Silva.
Dados da PM mostram que, de janeiro a outubro, 642 estabelecimentos comerciais foram assaltados. Violações, furtos e roubos a residências ultrapassaram (1.200) no período.
O número de assassinatos também preocupa a população da cidade. Até outubro foram mortas 150 pessoas, sendo a maioria vítima de execuções sumárias com tiros na cabeça. Entre as 56 ocorrências registradas ontem pela PM, estavam um cadáver abandonado vítima de dois tiros (um no rosto e outro nas costas) e uma mulher de 47 anos assassinada com 40 facadas.
Depois de percorrerem as principais avenidas do bairro, os participantes entregaram um abaixo-assinado com cerca de 6 mil assinaturas aos deputados estaduais Sérgio Spada (PSDB) e Chico Noroeste (PFL), que entregarão cópias ao governador Jaime Lerner (PFL) e ao secretário de Segurança José Tavares.

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