Comerciantes não vão prestar contas
Emerson Cervi
Da Redação
Não houve acordo na reunião de ontem à tarde, no gabinete da liderança do governo na Assembléia Legislativa, que tratou das indenizações aos comerciantes de Salto Caxias. Prefeitos de municípios atingidos pelo lago da usina, deputados estaduais e o presidente da Copel, Ingo Hubert, discutiram o cronograma de pagamentos por três horas. O presidente da Copel disse que aceita pagar os comerciantes que comprovarem contabilmente os prejuízos.
Representantes dos 450 manifestantes que passaram o dia em frente ao prédio central da Copel não concordaram com a proposta. A maioria dos prejudicados é de pequenos comerciantes, muitas vezes têm apenas o Alvará de funcionamento e isso dificulta a comprovação contábil dos prejuízos, disse o comerciante Clézio Batista.
Uma proposta alternativa pode terminar com o impasse. Hubert disse que os prefeitos dos seis municípios atingidos poderiam usar R$ 2 milhões do Fundo de Desenvolvimento dos Municípios, que seria repassado às prefeituras, para indenizar os comerciantes. Mas neste caso a responsabilidade seria das prefeituras e não da Copel.
Hoje, os manifestantes apresentam uma nova proposta ao líder do governo, Valdir Rossoni. Ontem à noite eles discutiam em Assembléia se aceitam a transferência dos recursos do Fundo de Desenvolvimento Municipal para as indenizações. Até o fechamento desta edição a Assembléia não tinha terminado. Os comerciantes exigem o pagamento de indenizações por prejuízos em todos os seis municípios atingidos e não apenas para aqueles que estão a 1.500 metros da margem do lago, como vem fazendo a Copel. Os municípios perderam, em média, 20% da população depois da construção da Usina.
Agressão - Luiz Carlos Biesek, 30 anos, esteve internado por três horas na manhã de ontem no Hospital Evangélico de Curitiba, após o confronto com policiais militares. Depois que a polícia proibiu a gente de montar as barracas eu me sentei na rua, foi quando levei a primeira pancada na nuca e não vi mais nada, contou. Foram os policiais militares que levaram Biesek ao pronto-socorro do Hospital Evangélico. O manifestante fez exame de lesões corporais no Instituto Médico Legal do Paraná (IML) assim que recebeu alta do hospital.
No laudo, os médicos Carlos Ehlke Braga Filho e Silvio José Gazda concluem que o paciente apresenta três equimoses avermelhadas no pescoço e uma na região escapular direita. Ontem à tarde Biesek pretendia prestar queixa à 3ª Delegacia de Polícia de Curitiba. Cerca de 20 policiais do 12º Batalhão fizeram a segurança do local durante todo o dia de ontem.





