Albari RosaA lotérica Maria Fernandes torce para que o Ahú não seja desativadoComerciantes que trabalham nas proximidades da Prisão Provisória de Curitiba não aprovaram a transferência do complexo prisional para Piraquara. O município já comporta a Penitenciária Central do Estado, a Colônia Penal Agrícola e o Educandário São Francisco, que abriga menores infratores. A principal alegação dos moradores do bairro é a segurança 24 horas que a prisão proporciona através do policiamento ostensivo.
‘‘Curitiba já está uma anarquia. Se eles construírem um shopping aqui vai atrair a bandidagem para cᒒ, afirma o mecânico Cláudio Venâncio Fernandes, 55 anos, que trabalha há três anos numa oficina localizada a pouco mais de 10 metros da prisão. Fernandes garante que a prisão nunca atrapalhou em nada o seu trabalho.
A comerciante Elenice Accordi, 36 anos, que tem uma banca de jornais e revistas em frente à prisão, também lamenta a transferência. ‘‘Em matéria de segurança vai ser péssimo’’, prevê. Ela confessa que nunca teve receio ou medo de uma eventual fuga da prisão. A lotérica Maria da Glória Fernandes, 39 anos, torce para que o presídio permaneça onde está.
Em agosto, Maria completa um ano de trabalho em frente à prisão. Desde que abriu o negócio ela diz nunca ter sido assaltada. ‘‘Sou contra a retirada do presídio daqui’’, assinala. Ela teme ainda a concorrência da lotérica de um futuro shopping.
Já a vendedora aposentada Olga Maria Santos, 54 anos, que mora a três quadras do Ahú, espera que a transferência seja concretizada. ‘‘Acho essa prisão um perigo. Os marginais sempre podem fugir e ficar pelas redondezas do bairro’’, explica Olga Santos, que é favorável a filosofia do ‘‘quanto mais longe melhor’’. Ela estava revoltada ontem à tarde. No dia anterior, um batedor de carteira conseguiu furtar cerca de R$ 700,00 de sua bolsa no terminal do Cabral, sem que ela percebesse qualquer movimento suspeito. Era todo o dinheiro de sua aposentadoria do mês. (D.V.)

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