Comerciantes mantêm greve de fome
Não houve acordo entre a Copel e os comerciantes da Região da Usina de Salto Caxias, inaugurada no mês passado, apesar da ocupação do prédio da empresa por mais de 10 horas anteontem, no bairro Batel, em Curitiba. Em protesto, cinco comerciantes chegam hoje ao nono dia de greve de fome e começam a sentir os primeiros sintomas de debilitação. O vereador de Três Barras do Iguaçu, Adelmo de Souza, 37 anos, foi internado e se recusa a receber qualquer tipo de alimentação. Ontem, comerciantes rezaram dentro da Assembléia Legislativa do Paraná e não descartam uma nova invasão ao prédio da empresa.
A direção Copel não mudou em nada sua posição, apesar dos protestos. O presidente em exercício da empresa, Mário Roberto Bertoni, disse que somente os comerciantes que comprovarem os prejuízos serão indenizados. A Copel vem cumprindo todas as obrigações legais e regulamentares relativamente aos aspectos ambientais envolvidos na construção da usina, disse.
Eis a razão do impasse. Segundo o contador Vilmar Madalosso, 51 anos, os pequenos comerciantes não têm como comprovar prejuízos futuros, que seriam provocados pela construção da hidrelétrica e a saída de cerca de 1.300 famílias dos municípios atingidos pelas águas. Um exemplo é o borracheiro Izeu Ordoni, 51 anos, um dos cinco que fazem greve de fome. Pai de dois filhos, Ordoni afirma não ter como comprovar a perda de rendimentos. Não tem documentos contábeis confiáveis, afirmou Madalosso, que é um dos líderes dos manifestantes.
Dos comerciantes que fazem greve de fome, Ordoni é o que está mais debilitado. Todos, no entanto, estariam começando a sentir tonturas, fraqueza e desidratação. Dos oito que haviam começado a greve no dia 5 deste mês, três tiveram de parar o protesto por problemas de saúde. Sem barracas suficientes, os cerca de 200 comerciantes têm dormido em quatro ônibus. Muitos não têm tomado banho e outros usam casas de amigos. Alguns têm feito higiene pessoal nos banheiros da Prefeitura de Curitiba.
Caso não haja acordo, Madalosso disse que não está descartada uma nova invasão ao prédio da Copel. Segundo ele, as famílias dos comerciantes que fazem protestos podem viajar à capital, para engrossar as manifestações. Vamos acampar em frente ao Palácio Iguaçu, disse. Ontem, o contador esperava que o governador Jaime Lerner intercedesse no impasse. O secretário da Segurança Pública do Estado, Cândido Martins de Oliveira, teria garantido, em uma reunião às 22 horas de anteontem - uma depois do prédio da Copel ser desocupado -, que iria fazer o possível para sensibilizar o governador.





