Comerciantes já sentem queda no movimento dos bares à noite
Embora ainda seja muito cedo para fazer qualquer avaliação sobre a venda de bebidas alcoólicas nos bares noturnos da Cidade, muitos comerciantes já estão sentindo que o movimento caiu depois da vigência do novo Código de Trânsito. No primeiro sábado a diferença foi muito grande, principalmente porque na sexta-feira ocorreu a primeira prisão de motorista por causa do bafômetro. A queda foi de pelo menos 30%. O pessoal está com medo de beber e dirigir, atesta Osmaldo Bueno de Oliveira, sócio-proprietário da Casa da Cachaça, que funciona na rua Professor João Cândido (área central) e é um dos bares mais movimentados de Londrina.
Além do sábado, Oliveira diz que tem verificado um movimento menor também nos dias de semana, embora não saiba quantificar a queda. Ele diz que o bar já está até pensando em oferecer ao cliente algum serviço especial para que ele não se sinta desestimulado a sair de casa ou consumir o mesmo que antes. Vamos estudar bem que tipo de serviço pode ser implantado para a gente não errar, aponta. Ele pretende fazer uma pesquisa junto aos próprios clientes para encontrar a melhor alternativa.
A distribuidora da Skol em Londrina, que atende a 3,5 mil pontos de venda de cerveja - entre eles aproximadamente 1,5 mil bares - também não avaliou se houve ou não queda significativa nas vendas. Mas, segundo o gerente comercial da empresa, Marcos Garcia, já há muitos donos de bar reclamando. Não dá para precisar em percentual, mas de forma geral o movimento nos bares, segundo os próprios donos, tem diminuído. Até os clientes mais assíduos estão tomando mais cuidado, revela Garcia. Talvez essa queda seja causada em função do impacto inicial do novo Código. Depois, talvez a situação vá se normalizar.
O presidente do Sindicato dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares, Newton Sborgi, reafirma que ainda não existe uma avaliação geral de todos os estabelecimentos comerciais sobre a queda no movimento mas, assim como os outros, não tem dúvida de que a lei inibe o consumo de bebidas alcoólicas. Por isso, ele diz, muitos donos de bar vão ter que criar alternativa para não ver o lucro cair. Tenho convicção disso. E o dono do bar não vende só bebida, ele vende serviço também. Então ele vai ter que oferecer ao cliente mais este serviço.
Newton Sborgi observa que em Brasília (DF), por exemplo, os donos de bares fizeram convênio com as associações de taxistas para baratear as viagens dos clientes. Isso poderia ser uma boa saída para que a pessoa não deixe de sair e passe a ficar mais tempo em casa, sobretudo nos finais de semana. Sobre a criação do Entregue Car, ou Disque Pileque, o presidente do Sindicato dos Hotéis e Bares considera que o serviço pode ser uma ótima alternativa para quem gosta de beber além do que estipula a lei.
Enquanto os donos de bar se preparam para enfrentar uma possível queda no movimento, um setor que está otimista com a nova lei é o dos taxistas. Mesmo que em alguns pontos a categoria se sinta prejudicada - como, por exemplo, não poder mais parar em fila dupla para o embarque e desembarque de passageiros. O presidente da Associação de Táxi Faixa Vermelha, Antônio Teixeira Maciel, comenta que nos primeiros dias de vigência da lei já houve uma pequena melhora no movimento, principalmente à noite. Ontem (anteontem) mesmo peguei um cliente que estava indo a um barzinho e deixou o carro em casa por causa da lei.
Antônio Maciel diz que está cansado de ver motorista cometendo imprudência no trânsito, principalmente nos finais de semana depois das 23 horas. O carro pára em fila dupla, entra na contra-mão, faz racha, dá cavalo-de-pau. Acredito que esse hábito tem que mudar. Em época de Carnaval, então, a gente chega a ficar feliz quando acaba, porque o trânsito fica muito complicado, afirma o taxista. Por isso eu acho que a lei tem mesmo que ser rigorosa com o mau motorista.





