Os comerciantes da rua Serra da Graciosa, no Jardim Bandeirantes (zona oeste), estão preocupados com o crescimento do número de assaltos na região. E já falam em se armar para garantir a segurança de seus empreendimentos. ‘‘Assim não dá para trabalhar. Se a polícia não dá conta nós não temos outra alternativa a não ser comprar uma arma para nos defender’’, afirma o dono do ‘‘Bar do Vizinho’’, Antônio Monteiro. Ontem de madrugada, o seu bar foi arrombado pela terceira vez em menos de 60 dias.
Os ladrões quebraram uma das janelas do estabelecimento utilizando uma ripa. Marcas de pés e mãos mostram que eles subiram pelo muro que separa o bar da casa vizinha, para ter acesso à janela aberta. Os ladrões levaram latas de cerveja e moedas de valores maiores. As marcas no muro e na parede da janela fazem Monteiro acreditar que os ladrões são adultos, mas de pequeno porte.
Monteiro trabalha na área de bares e restaurantes há 15 anos, e tem o ‘‘Bar do Vizinho’’ há dois anos. ‘‘Quero ver quando, por desgraça, a gente acabar machucando ou matando um destes ladrões. Aí nós é que vamos ser os culpados.’’ Monteiro calcula que só em mercadoria e consertos ele já acumulou um prejuízo de mais de R$ 1.000,00.
A situação de ‘‘desânimo’’ não é só de Monteiro. Na mesma rua, a grande maioria dos estabelecimentos comerciais foi assaltada pelo menos uma vez nos últimos cinco meses. O dono do açougue próximo ao bar, José Luiz Pereira Filho, já foi roubado duas vezes. José Roberto dos Santos, proprietário do Bar 705, no outro quarteirão da mesma rua, também já foi assaltado três vezes; da mesma forma como o ‘‘Bar do Caçador’’, de Luiz de Souza.
Chamar a polícia, afirmam, também não adianta. Segundo eles, os policiais são os primeiros a dizer que pouco ou nada podem fazer quando os assaltos são praticados por menores. ‘‘Dizem para a gente que eles prendem os garotos e, depois de 24 horas, o juiz solta’’, comenta Monteiro. ‘‘Não acredito que haja um estabelecimento comercial localizado no Jardim Tókio, Bandeirantes e Industrial que ainda não tenha sido assaltado’’, afirma Souza.
Os comerciantes acrescentam ainda que o policiamento de rua, feito pela Polícia Militar, só permanece até o fechamento dos estabelecimentos - por volta das 22 horas. ‘‘Depois deste horário a rua fica livre para a ação dos marginais’’, diz Santos. Um comerciante da região que não quis se identificar disse que não larga o seu ‘‘chico bento’’ - apelido do seu 38 - nem quando vai dormir. ‘‘Nós não temos nenhuma segurança’’, justifica.
Os comerciantes registraram queixa no 3º Distrito Policial (DP), no jardim Bandeirantes, e dizem estar dispostos a entrar em acordo com a PM para garantir o policiamento 24 horas por dia, na região. ‘‘Se o problema é combustível nós podemos cotizar o gasto entre os comerciantes e arcar com a despesa’’, sugere Antônio Monteiro.
O delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial, Leonyl Ribeiro, desaconselha os comerciantes a se armarem. ‘‘Isto só agravaria a situação’’, adverte. Mas reconhece que o índice de furtos e arrombamentos a estabelecimentos comerciais vem aumentando consideravelmente nos últimos três anos. De 559 casos, em 94, os furtos e arrombamentos na Cidade passaram a 732 em 95 e somaram 470 só no primeiro semestre deste ano. Um aumento de cerca de 30% por ano.
Segundo o delegado, este tipo de crime é praticado principalmente por menores. Leonyl Ribeiro frisa que as polícias Civil e Militar têm atuação limitada no controle da criminalidade porque trabalham sob o efeito do problema social. ‘‘A recessão e o desemprego são os principais fatores da causa da criminalidade’’, diz.
O subcomandante do 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM), Capitão Edwaldo Machado, explica que a Polícia Militar não tem tido problemas com o abastecimento de suas viaturas. Segundo ele, o que dificulta o trabalho de prevenção é a falta de registro de furtos e arrombamentos que resultam em prejuízos pequenos. ‘‘Sem a ocorrência, ficamos sem saber onde os casos estão acontecendo e não temos como atuar de forma preventiva.’’

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