Comerciantes de seis municípios da região de Salto Caxias - a hidrelétrica inaugurada pela Copel no dia 26 do mês passado, com a presença do presidente Fernando Henrique Cardoso - tomaram à força ontem, às 11h30, o prédio da companhia, em Curitiba. Todos os funcionários da empresa foram liberados. Três deles ficaram para negociar um acordo, que não havia sido fechado até às 18 horas.
Os manifestantes reclamam que a Copel teria causado cerca de R$ 15 milhões de prejuízo para 815 comerciantes por causa da obras da hidrelétrica. Os prejuízos seriam sentidos no futuro em virtude da transferência de famílias de uns para outros municípios. A direção da empresa foi procurada insistentemente para falar do assunto, mas não foi encontrada. O assessor da Copel, Wilson Antunes, disse que uma nota oficial seria distribuída a imprensa, mas esta não chegou à Folha.
Pelo mesmo motivo da invasão do prédio, oito comerciantes da Região de Salto Caxias haviam começado uma greve de fome há oito dias. Seis deles continuam o protesto, instalados em barracas na Praça Nossa Senhora de Salete, em frente à Assembléia Legislativa do Estado. Dois, porém, abandonaram o protesto por causa de problemas de saúde.
Segundo o contador Vilmar Madalosso, 51 anos, mais de 100 comerciantes teriam ocupado ontem quatro andares do prédio da Copel, que fica na rua Coronel Dulcídio, bairro Batel. Um grupo de 30 pessoas foi impedido de entrar e mantinha guarda na frente do edifício, observados por policiais militares. Até o final da tarde não havia ocorrido confrontos com a polícia, embora isso não fosse descartado pelos comerciantes. Do lado de fora, Madalosso disse que não estavam descartadas ‘‘atitudes radicais’’ para obter uma resposta da Copel. ‘‘Por enquanto, a ocupação é pacífica, mas estamos cansados de ser enrolados’’, afirmou.
Segundo ele, o impasse é provocado por uma visão equivocada dos técnicos da empresa, que estariam desautorizando o pagamento das indenizações baseados em previsões contábeis passadas. Madalosso, no entanto, revela que os comerciantes reclamam uma compensação por prejuízos futuros, já que teriam saído dos municípios cerca de 1.300 famílias. Isso, afirma o contador, teria provocado o colapso da economia da região. Madalosso afirma que os comerciantes tiveram a renda diminuída entre 60% e 85%. Muitos estariam fechando as portas e perdendo o trabalho de anos. ‘‘Queremos uma compensação por essas perdas’’, afirmou.

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