A concorrência proporcionada pela livre atuação dos ambulantes no Calçadão (Área Central de Londrina) não está sendo motivo de preocupação para os comerciantes do local. De acordo com funcionários de algumas lojas, não houve queda no movimento desde o início da greve dos fiscais da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU). Com a falta de fiscalização, os ambulantes tomaram conta do Calçadão, comercializando os mais diferentes tipos de produtos.
Gerente de uma loja de preço único, Luceli Marques, disse que não houve alteração no movimento do estabelecimento comercial. ''Percebi o aumento dos ambulantes mas, para mim, não atrapalha em nada. Não tenho nada contra o trabalho deles, poderia até ser mais liberado'', opinou. Para a balconista Luciana Serena, a concorrência não atrapalha porque os ambulantes trabalham com outro padrão. ''O preço e a qualidade são diferentes do que é vendido nas lojas'', avaliou.
Apesar de concordar que a concorrência dos ambulantes não prejudica o movimento, Cláudio Pereira de Lima, gerente de vendas de uma loja de calçados, acredita que a presença dos vendedores no Calçadão atrapalha os lojistas de forma indireta. ''Acho que não é legal porque deixa a cidade mais feia e mais suja. Então, quem vem para a cidade para gastar, acaba preferindo ir para os shopping centers.''
Para o ambulante Francisco Sisti de Almeida Aleixo, 19 anos, quem trabalha nas ruas tem de ter ''consciência'' para evitar conflitos com os comerciantes. Ele exemplifica: ''Como trabalho com carteiras, não vou ficar em frente de uma loja que vende carteiras. Assim evito problemas'', disse. Ele acredita, no entanto, que mesmo com o aumento da concorrência entre os próprios ambulantes, a ausência de fiscalização da CMTU é benéfica.
A maior liberdade desfrutada pelos ambulantes no período de greve também gera reflexos para os vendedores do Centro de Referência do Artesanato de Londrina (Cereal). De acordo com o artesão Luiz Batista, vender é mais fácil para quem está na rua. ''Nosso movimento caiu, mas não tenho nada contra o trabalho deles. O ideal era a gente também estar na rua, junto com eles'', afirmou. Resignado, Batista conta que o movimento no Cereal é até 80% menor comparado ao do tempo das barracas na Praça Marechal Floriano Peixoto.

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