Comerciantes fazem o trabalho da polícia
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quarta-feira, 08 de novembro de 2006
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Até pouco tempo atrás, a Rua Centenário do Sul, no Conjunto Lindóia (Zona Leste de Londrina), era daquelas típicas de bairros pequenos com vizinhos trocando gentilezas, pequeno comércio, crianças brincando livres e cachorros latindo com simpatia para carros e pedestres. Mas a calmaria deu lugar à insegurança provocada pelos constantes casos de furtos e roubos. Tanto que a comunidade se uniu nos momentos de perigo. Ontem, após praticar um assalto com outros comparsas, um adolescente foi perseguido e ''preso'' por moradores.
O assalto foi contra uma loja de presentes. Segundo a vendedora, um rapaz armado foi até o caixa enquanto outros três - um com um revólver, outro com um pé-de-cabra e o último com um martelo - foram em direção à vitrine e começaram a quebrar os vidros. Eles queriam equipamentos eletrônicos e o dinheiro do caixa.
Uma comerciante que estava na loja em frente percebeu a ação dos assaltantes e começou a gritar. Assim que o grupo saiu levando celulares, DVDs, mp3 e outros produtos, ela teria jogado uma cadeira contra um dos assaltantes, que tentava fugir numa bicicleta. O suspeito, um adolescente de 16 anos que mora na região, foi dominado por um mototaxista que trabalha na rua. Ele foi levado para a Delegacia do Adolescente. Os outros conseguiram escapar.
A comerciante Maria Helena Munhoz disse que os moradores não suportam mais tanta insegurança. ''Quando alguém grita pega ladrão todo mundo se une para pegar o bicho na unha, mesmo sabendo do risco'', desabafou. ''Se não tomarmos essa atitute, quem vai tomar ?''.
A central de mototáxi da rua é tida como ''o anjo da guarda'' de comerciantes e moradores. ''Normalmente vamos só acompanhando e passando para a Polícia porque tem o risco do ladrão estar armado e atirar'', comentou um mototaxista. ''Os comerciantes são todos clientes e isso funciona como uma parceria''.
O relações públicas do 5º Batalhão da PM, tenente Ricardo Eguedis, desaconselhou qualquer forma de perseguição de suspeitos de crimes por moradores. ''Nossa orientação é para que nunca ocorra qualquer tipo de revide contra o criminoso'', observou, apontando que o melhor a fazer é acionar a Polícia Militar.


