Sete comerciantes e um vereador de seis municípios da Região de Salto Caxias - a hidrelétrica construída pela Copel e inaugurada no dia 26 do mês passado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso - iniciaram ontem uma greve de fome, acampados na Praça Nossa Senhora de Salete, em frente à Assembléia Legislativa do Paraná, em Curitiba. Com faixas que pedem ajuda aos deputados estaduais, os manifestantes representam cerca de 850 colegas, que teriam perdido 60% da renda por causa da represa. Depois de tentar negociar com a Copel, os comerciantes afirmam que foram obrigados a radicalizar para receber indenizações pelos prejuízos.
O engenheiro Antônio Fonseca dos Santos, gerente da Coordenação de Impactos Ambientais da Copel, disse que as afirmações dos comerciantes não conferem com os índices econômicos dos municípios. Segundo ele, todos os comerciantes que comprovarem os prejuízos serão ressarcidos pela empresa. Conforme Santos, a Copel tem aplicado cerca de R$ 850 mil em Fundos de Desenvolvimento de cada município, para amenizar os problemas causadas pela hidrelétrica.
Segundo Adelmo Souza, 37 anos, vereador de Três Barras do Paraná, que participa da greve de fome em solidariedade aos comerciantes, o ‘‘caos’’ na economia dos municípios foi provocado porque a Copel transferiu as famílias atingidas pelas águas para outros municípios, como Cascavel, Catanduvas e Corbélia.
O comerciante Albino Zabaoski, 42 anos, diz ter perdido cerca de 300 clientes. Morador do município de Três Barras, Zabaoski é dono de uma loja de brinquedos e trabalha com eletrônica. Afirma poder provar que 99% das famílias do município que foram embora constam em seu cadastro de clientes. A renda, que era de R$ 6 mil ao mês, caiu para R$ 2 mil.
Enquanto assusta Zaboaski, a falência já arrasou com o cabeleireiro e barbeiro Paulo Ponce de Oliveira, 26 anos. Ele teve que fechar o negócio, no distrito de Alto Alegre, que lhe rendia seis salários mínimos mensais. Agora, pede indenização e, quando tudo acabar, pretende procurar emprego em Curitiba.Manifestantes acamparam ontem em frente à Assembléia Legislativa para exigir indenizações da Copel
Mauro FrassonPrejuízosComerciantes que fazem o protesto representam cerca de 850 colegas que perderam 60% da renda com a construção da represaJames Alberti

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