Durante toda a manhã de ontem, comerciantes do Shopping Popular, na Avenida Mato Grosso (Área Central), se aglomeraram em frente à galeria. O presidente da associação dos camelôs, Ulisses Sabino Nogueira, exigia a quitação das dívidas dos inadimplentes e condicionou a abertura do shopping aos pagamentos. Somente no início da tarde a situação foi normalizada.
''Ainda hoje (ontem) quero receber pelo menos metade do que eles estão devendo. Se não, não adianta nada a Copel vir religar a luz, porque na outra semana vem a Sanepar e assim por diante'', asseverou. De acordo com Nogueira, a dívida do condomínio gerada pelos inadimplentes soma R$ 86 mil. A taxa gira em torno de R$ 33 mil por mês e cobre despesas com luz, água, contabilidade, limpeza e advogado, entre outras. Só de energia elétrica, os camelôs amargavam uma dívida de R$ 7 mil. O shopping tem 328 lojas e está isento de pagar aluguel até o final do ano. Até lá, o custo é bancado pelo Município, que vem arcando com o pagamento há quase um ano e meio.
Ontem, enquanto as lojas permaneciam fechadas, comerciantes faziam fila dentro do camelódromo para quitar suas dívidas. Um deles era Alexsandro Clovson, 29 anos, que possui uma banca de videogames. Ele alegou que estava com um mês de condomínio atrasado porque as vendas estão ruins. ''O movimento nunca foi tão fraco. Acho que caiu com a proibição de venda dos CDs, no começo do ano. Mesmo pra quem não vendia, era um chamariz de clientes'', opinou.
Nogueira também atribuiu a inadimplência ao fim dos CDs piratas no camelódromo. ''Os últimos dois meses foram muito ruins. É a primeira vez que a situação chega nesse ponto'', ressaltou. Já o camelô Daniel Henrique Anhezimi, 20 anos, que disse estar em dia com as contas, apontou que a queda nas vendas não justifica o não-pagamento.''Não é de hoje que isso acontece. Tem muita gente aqui usando de má-fé''. (V.N.)

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