Arrombamentos, assaltos e furtos são constantes na Região Central de Londrina. Para tentar solucionar ou minimizar o problema, os comerciantes encabeçaram um abaixo-assinado, intermediado pelo Conselho de Direitos Humanos, exigindo mais segurança no local, alegando que não há policiamento preventivo. A lista já possui 37 assinaturas colhidas em apenas uma quadra de estabelecimentos comerciais e deve ser encaminhada à Polícia.
''Com este documento, temos a esperança que realmente algo possa ser feito. Percebo um descaso das autoridades da cidade. Cada órgão 'joga' o problema para outro e conta uma história; a responsabilidade nunca é de ninguém. O problema é fruto da falta de vontade política em acabar com a situação'', desabafou Wagner Morena, proprietário de uma confeitaria.
Há dois anos com o ponto nas proximidades do Bosque, ele desfrutava de uma situação privilegiada. ''Todos os estabelecimentos ao redor já haviam sido assaltados ou furtados. Nada tinha acontecido comigo até então. Em compensação, no último mês e meio foram três furtos na loja. Já contabilizei cerca de R$ 10 mil em prejuízo'', disse o comerciante. O último roubo aconteceu na madrugada de sábado.
Segundo ele, os objetos menores são alvos preferidos dos bandidos. ''Percebo que eles preferem levar liquidificador, cafeteira, microondas. Acredito que seja pelo fato de serem usuários de drogas, que conseguer trocar esses objetos com mais facilidade'', acrescentou.
Ainda de acordo com o comerciante, a situação não acontece somente durante a madrugada. ''Além dos usuários que ficam no Bosque durante o dia, há crianças andando pela região, mostrando o corpo. Para mim, isso é prostituição. Já liguei para o Sinal Verde, Conselho Tutelar e nada fizeram.''
Trabalho
De acordo com a conselheira tutelar Edna Hermeto dos Santos, o trabalho do órgão é garantir que o direito das crianças e adolescentes sejam respeitados. ''Devemos diferenciar se essa criança ou adolescente está inserido num problema ou se é causador dele. Se é causador, foge de nossa alçada. O que nos cabe é fazer um trabalho direcionado à família com o objetivo de ressocialização, que é difícil e demorado. Por isso, não fazemos abordagem.''
Já a coordenadora do Projeto Sinal Verde, Adriana da Cruz Barroso, alega que o órgão atende pessoas em situação de risco. ''Temos uma equipe de abordagem, que trabalha em conjunto na área do Bosque, de forma educativa para levar à reflexão e superação da condição. O cenário foge da situação de mendicância, já que há usuários de drogas e prostituição'', explicou. Ela diz que o fato de crianças andarem pela região não configura uma situação de atendimento. ''Se pessoas ou crianças estão trazendo qualquer tipo de ameaça, a polícia é quem deve fazer a intervenção.''
Para o tenente Ricardo Eguédis, porta-voz do 5º Batalhão da Polícia Militar, o trabalho da corporação tem sido efetivo. ''Nosso trabalho ameniza e muito a situação da criminalidade em Londrina. Contudo, a resolução não depende somente de nós; somos apenas uma ferramenta nesse processo. Isso passa por vários órgãos municipais. Devemos ir além da repressão. O problema desses comerciantes pode até ser resolvido. Mas, é uma situação que vai migrar para outro lugar. Precisamos é de um trabalho em conjunto.''

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