Uma comissão de revendedores de pneus e borracheiros reúne-se, na próxima sexta-feira, na Promotoria de Defesa do Meio Ambiente de Londrina, para decidir onde depositarão os pneus inservíveis destinados à reciclagem. Este grupo formou-se ontem, numa reunião entre Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Ministério Público, prefeitura, comerciantes, prestadores de serviço e Associação Nacional das Indústrias de Pneumáticos (Anip).
O objetivo do encontro foi alertar o setor (fabricantes, comerciantes e prestadores de serviço) sobre a responsabilidade pela coleta e destinação adequada dos pneus sem utilidade. Esta incumbência baseia-se na resolução 258, do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), de 1999, que define, inclusive, multas pesadas para quem descumpri-la. ''Espero que, até o final deste mês, eles tenham chegado a um acordo'', disse a promotora Solange Vicentin, que levou uma representante da Anip para explicar aos participantes o modelo de trabalho desenvolvido por ela.
A Reciclanip é uma entidade-filha da Anip criada exclusivamente para cuidar do problema. Ela existe há nove anos e, desde então, reciclou 780 mil toneladas de pneus. O produto, ainda hoje, é abandonado em aterros sanitários, lixões e até fundos de vale, no Brasil inteiro. Conforme Renata Murad, gerente geral da entidade, os fabricantes assumem os gastos com transporte e trituração do material, que é - quase totalmente - utilizado como combustível pelas indústrias sementeiras. ''Precisamos de um galpão ou conteiner que acumule, pelo menos, dois mil pneus em cada ecoponto. O número de coletas semanais e como será feita é logística nossa. Temos, aproximadamente, 300 pontos distribuídos pelo País, e, praticamente todos, foram cedidos pelos municípios. No Paraná, são 50 até o momento'', explicou.
O MP já alertou a prefeitura para o risco de autuação caso receba pneus no aterro sanitário ou invista na coleta e destinação dos mesmos. A interpretação da lei feita pela promotora é que este gasto é obrigação apenas do setor. Segundo Gerson da Silva, secretário municipal do Meio Ambiente, não basta liberar um terreno. É necessário estrutura física e segurança para viabilizar o processo.
O prestador de serviço Rogério Quilis garantiu à reportagem disposição em ceder espaço para um conteiner que atenda, no mínimo, outros empresários vizinhos. ''Recentemente, construi uma cobertura para abrigar exclusivamente os pneus velhos deixados pelos clientes. Minha intenção era utilizar essa área para ampliar o prédio, mas não posso correr o risco de ser multado pela Vigilância Epidemiológica'', explicou Quilis que, a exemplo de outros, ficou 'perdido' com o fechamento da BS Colway, ano passado.
Os borracheiros Darci Neves e Sidnei Caporali também afirmam que aceitam contribuir financeiramente para resolver a questão. Porém, acreditam que a prefeitura deveria participar da tarefa. ''Pago todos os impostos em dia e sou a parte mais fraca desta cadeia. Não posso ficar com o 'pepino' sozinho'', reclamou Darci, que acumula mais de 100 pneus em seu estabelecimento.

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