Os comerciantes do Jardim Cafezal, na Zona Sul de Londrina, estão cada vez mais apavorados com a frequência de assaltos e furtos na região. Um farmacêutico teve seu estabelecimento invadido três vezes no últimos meses e o dono de uma mercearia, baleado durante um assalto, pensa em mudar de ramo. Ontem, eles foram recebidos pelo comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel Marcos Palma.
De prático, o comandante promete aumentar a circulação de policiais na região, mas o reforço de efetivo está descartado por enquanto. Palma diz que a PM está fazendo ''o que é possível''. Outra promessa do comando é implantar alguns policiais à paisana do Serviço de Inteligência (P2) para fazer o policiamento dos locais mais críticos. ''É o que podemos fazer no momento. Não temos como aumentar o efetivo. O que podemos fazer é aplicar o que temos da melhor forma possível'', argumentou.
O comandante também desafiou a própria comunidade a participar do processo de redução de criminalidade. Segundo ele, a população tem sua parcela de responsabilidade. ''Isso está provado em todo mundo. A polícia sozinha não consegue acabar com o problema e depende da colaboração da comunidade'', afirmou. No caso do Cafezal, ele orientou os comerciantes a tomar cuidados básicos, como melhorar o sistema de iluminação, redobrar os cuidados à noite e denunciar sem medo. ''O brasileiro tem essa idéia de quem avisa a polícia de crimes é delator. Nos Estados Unidos, por exemplo, acontece o contrário. Quem não avisa é que fica marcado'', ilustrou.
De acordo com os comerciantes, a implantação do Projeto Povo nas quatro unidades do Cafezal já resolveria o problema. O comandante afirmou, no entanto, que isso depende de um estudo. A liberação, segundo ele, é responsabilidade do alto comando da PM. ''Se a ampliação for autorizada, vamos estudar o melhor local para o projeto ser implantado, obedecendo os critérios de índice de criminalidade e adensamento populacional'', explicou. ''O Cafezal seria uma área em que o projeto poderia ser aplicado'', prosseguiu.
Enquanto isso, os comerciantes continuam com medo de novos assaltos. O farmacêutico Alfonso Alves, de 48 anos, viu seu caixa roubado três vezes. Ele calcula um prejuízo de R$ 1 mil. Nas três vezes os bandidos estavam armados. ''O pior de tudo é o susto e o constrangimento. É triste ver minha caixa chorando por causa do assalto'', contou.
Benedito Ferreira dos Santos, 50, foi atingido por um tiro no tórax. ''Um garoto me pediu um copo de água e quando voltei ele estava com arma na minha cara. Reagi e fui baleado'', lembrou. O assalto aconteceu há mais de dois anos, mas o medo ainda persiste. ''É complicado ver os amigos da gente sendo assaltados toda hora. Quando eu tiver condições, fecho aquilo lá e vou fazer outra coisa''.

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