Comerciantes disputam venda de lanche
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segunda-feira, 17 de maio de 1999
Vânia Moreira 
Comerciantes e vendedores ambulantes de Umuarama estão desafiando as associações de pais e mestres (APMs) e a direção das escolas para vender lanches aos alunos dentro dos estabelecimentos. Donos de bares próximos a algumas escolas e vendedores ambulantes querem uma fatia da clientela, mas as APMs não aceitam a concorrência com as cantinas, cuja renda é a principal fonte de recursos extras para as escolas.
DesafioPedro Chagas Júnior e a mulher Genilce: casal coleciona notificaçõesEm 1994, o governo do Estado aprovou uma lei estabelecendo que apenas as APMs ou grêmios estudantis podem explorar a venda de alimentos dentro das escolas. No centro da disputa estão os estudantes, cuja maioria defende a livre concorrência e o direito de comprar de quem preferirem.
Proibidos de entrar no pátio das escolas, alguns vendedores criaram uma espécie de barraca suspensa para entregar os lanches por cima dos muros que têm de dois a três metros de altura. A estrutura é formada por uma escada, uma plataforma de madeira e um guarda-sol, instalados ao lado do muro duas vezes por dia, durante o intervalo das aulas.
Os lanches ficam em caixas térmicas ou caixas de isopor. Encerrado o recreio e as vendas, os comerciantes desmontam rapidamente a plataforma e recolhem tudo. Há gente vendendo lanches desta forma em três colégios estaduais.
No Colégio Tiradentes, a diretoria da escola e a APM ainda não se incomodaram. A escola tem cantina, mas segundo a diretoria, a maioria dos alunos é carente e não compra lanche. Os escolares consomem a merenda servida na escola.
OusadiaAndaime garante venda de lanches aos alunos por cima do muro da escolaHá 10 dias, o vendedor ambulante Carlos Crispim começou a vender cachorro-quente aos alunos do Colégio Bento Mussurunga. A escola tem cantina há um ano e meio, mas não vende cachorro-quente. Por isso, muitos alunos deixaram de consumir na cantina para comprar o sanduíche no muro. O colégio já declarou guerra ao vendedor. A APM pediu à prefeitura para retirá-lo do local , informou o diretor da escola, José Guilherme de Oliveira.
Segundo Oliveira, a escola precisa do lucro da cantina, porque o dinheiro que o governo repassa não dá para custear todas as despesas. De outubro de 98 a março deste ano, não recebemos nenhuma verba da Fundepar e foram as vendas da cantina que garantiram a manutenção da escola no período, conta.
O caso mais polêmico envolve o Colégio Estadual Umuarama, um dos maiores da cidade com quase dois mil alunos. Dono de uma pequena lanchonete ao lado do colégio, Pedro Chagas Júnior enfrenta há quase seis anos a direção e a Associação de Pais e Mestres (APM) para continuar vendendo seus lanches aos alunos.
Antes, os alunos iam até a lanchonete. Quando a escola proibiu a saída dos escolares do pátio, Chagas passou a atender pela grade do portão. A direção fechou a grade e Chagas começou a entregar os lanches numa parte mais baixa do muro. Como a escola também isolou com tela o acesso dos alunos à área, ele construiu um andaime e uma escada para atender os fregueses em outro trecho do muro, com quase três metros de altura.
A escola e a APM pediram providências ao Núcleo Regional de Ensino e à prefeitura. A secretaria de Serviços Públicos notificou quatro vezes o comerciante, mas ele continua trabalhando. Eles não têm base legal para me impedir. Eu estou trabalhando, não estou criando nenhum embaraço e a Constituição garante a liberdade de trabalho, argumenta.
Segundo Chagas, os alunos preferem seus lanches e isso irrita a direção da escola e da APM, que administra a cantina do colégio. Ele vende, em média, 120 lanches por dia. Já cheguei a vender 350 por dia, quando a escola não implicava muito.


