Comerciantes desistem de combater pichação
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terça-feira, 12 de novembro de 2013
Érika Gonçalves<br>Reportagem Local 
Londrina - Cansados de esperar uma solução do poder público, comerciantes estão buscando alternativas para resolver o problema da pichação. O aumento da segurança, com a colocação de câmeras e a contratação de alarmes monitorados é uma das alternativas. Porém, a opção mais comum ouvida pela reportagem da FOLHA é deixar o muro sem pintura.
"Já desisti (de pintar), pintei umas quatro vezes mas sempre estragam novamente. Agora vou colocar câmeras para tentar pegar quem está fazendo isso", conta Manoel de Brito, proprietário de um estacionamento e lava-rápido.
Thais Campana, gerente de um outro estabelecimento, concorda. "Na primeira vez que picharam já não pensamos em pintar. Sabemos de outras pessoas que tentaram cobrir o vandalismo, mas aí que picharam mesmo. Vamos esperar passar essa onda para refazer a fachada", justifica.
"Aqui também desistimos. Pintamos e na semana seguinte picharam, novamente pintamos e outra vez picharam. Agora decidimos não pintar mais. Sabemos de outros comerciantes que pintaram várias vezes e sempre vandalizam, assim como também há aqueles que ainda insistem, porque fica feio a fachada toda suja", comentou uma comerciante que não quis se identificar.
Outro comerciante que também não quis se identificar, temendo a retaliação dos pichadores, comenta que foi avisado por outros lojistas para nem tentar cobrir o estrago na fachada de sua loja. "Me disseram que se pintar, piora, por isso estou deixando desse jeito mesmo. Acho que precisamos de educação mas também vai da consciência das pessoas", argumenta.
A cabeleireira Regina de Freitas conta que o local onde trabalha foi pichado duas vezes seguidas. Depois de algum tempo a pintura foi refeita e o reforço na segurança, além das câmeras, fez com que até o momento não houvesse novo vandalismo. "É desanimador abrirmos uma loja com tanto entusiasmo, fazendo o melhor para atender nossos clientes e chegar uma manhã e descobrir que tudo foi pichado", lamenta.
Bom exemplo
No final de semana, alunos e funcionários de uma academia localizada no Zerão (área central) se reuniram para cobrir os muros com desenhos, na tentativa de evitar que o local seja vandalizado mais uma vez. "Chamamos nossos alunos, funcionários e seus filhos para passar uma manhã fazendo arte, colorindo os muros com algo agradável. Escolhemos alguns desenhos e cada criança também pode escolher o que queria fazer", conta Luciani Campos, proprietária da Insight Personal Trainer.
A cirurgiã-dentista Norma Nabut Fujita levou as filhas Sara, de 10 anos, e Nájua, 8, para participarem da atividade. "Estamos espantados com a poluição visual na cidade e arte também é educação", afirma.
Patrulhamento
Rubens Guimarães, secretário municipal de Defesa Social, afirma que a força-tarefa para diminuir a ação dos vândalos continua. Segundo ele, cerca de 10 pessoas foram flagradas enquanto pichavam muros e encaminhadas para a delegacia nos últimos meses. "Houve também uma denúncia que nos ajudou bastante. Solicitamos aos vigilantes e comerciantes que nos ajudem, fazendo denúncias e encaminhando as imagens das câmeras de segurança. As pessoas não se envolveram e não estão nos mandando essas imagens", lamentou.
Segundo Guimarães, por enquanto não está havendo fiscalização nos estabelecimentos que vendem spray, conforme anunciado em agosto, devido à falta de fiscais da Secretaria de Fazenda. "Eles estavam ocupados com outras ações e estamos aguardando essa liberação. Também pretendemos entrar em contato com a Secretaria de Educação para que seja discutido no currículo escolar a questão da pichação. Algumas escolas já estão discutindo isso, mas também é uma questão de cultura."
O capitão Nelson Villa, porta-voz do 5º Batalhão da Polícia Militar, afirmou que não está havendo solicitação da comunidade para patrulhamento visando conter o vandalismo. "Se houver solicitação iremos, mas já fazemos o patrulhamento como um todo, não somente evitando a pichação. Se houver flagrante faremos a prisão", destacou.


