Comerciantes denunciam empreiteira
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segunda-feira, 29 de maio de 2000
Maurício Borges De Apucarana 
Comerciantes e prestadores de serviços de Ortigueira (150 km ao sul de Apucarana) e Curiúva (154 km ao sul de Jacarezinho) estão denunciando na Justiça mais uma empreiteira que prestava serviço para Furnas Centrais Elétricas. Trata-se da Nativa Engenharia S/A, empresa do Rio de Janeiro, que trabalhou nos últimos 45 dias na região instalando cabos e fibras óticas para o novo linhão de transmissão de energia que Furnas está implantando. O linhão vai interligar a Hidrelétrica de Itaipu com a região Sudeste do país.
De acordo com a denúncia, a empresa deixou de pagar R$ 82 mil em mercadorias e serviços, durante o período em que manteve escritório e canteiro de obras nas duas cidades. Na relação encaminhada à Justiça constam pendências em hotéis, restaurantes, postos de combustíveis, oficinas mecânicas, lojas de autopeças e transportadores autônomos, além de dívidas trabalhistas.
Em abril, um grupo de comerciantes e autônomos de Ortigueira e Curiúva já haviam dado entrada na Justiça a uma ação, visando receber cerca de R$ 110 mil da Alvorada Construções Elétricas Ltda, que também deu calote na região. A empresa, sediada em Itapira (SP), trabalhou 120 dias nos dois municípios como subempreiteira da Enterpa Engenharia Ltda., que ganhou a licitação para instalação das torres que iriam sustentar as linhas de transmissão de energia.
Agora, conforme revela o comerciante Nereu Mercer de Lima, proprietário do Hotel Vila Rica, em Ortigueira, os credores estão requerendo judicialmente cópias dos contratos firmados entre Furnas e a Enterpa, e também dos que foram firmados entre as empreiteiras. Tanto Furnas como as empreiterias negam a liberação destes contratos, com os quais pretendemos provar que estas empresas são devedoras solidárias, explicou ele.
O comerciante lembrou ontem que, nos últimos dias antes de fechar seu canteiro de obras em Ortigueira, a Alvorada e a Enterpa foram intimadas a comparecer na Justiça do trabalho para pagar pendências com 98 trabalhadores de Alagoas e Bahia, que foram trazidos para a região. Na semana passada foram realizadas mais 43 audiências com operários que trabalharam para a Alvorada e a Enterpa.
Nereu Mercer tem documentos que comprovam que as empresas caloteiras estão em concordata. Seus diretores não estão sendo encontrados.


