A construtora Indarc, de Londrina, deve começar na segunda-feira a remodelação da rodoviária de Rolândia. O impasse que ameaçava a obra teve ontem o capítulo final.
Os quatro comerciantes que há quase três meses se recusavam a cumprir uma notificação da prefeitura para desocupar os pontos comerciais do prédio foram retirados do local por uma liminar de reintegração de posse concedida pelo juiz Antonio Zenkiti Tayama.
A Folha apurou que na sentença constava que o interesse público deve prevalecer sobre o interesse privado em casos dessa natureza, desvinculando as pendências jurídicas da concretização da obra.
Os quatro estabelecimentos foram fechados e os ocupantes entregaram as chaves para ao oficial de Justiça ao meio-dia. ‘‘Eles nunca chamaram a gente para conversar, tentar um acordo. A gente comprou o ponto, trabalhou aqui anos e anos e agora tem que sair assim’’, disse Sidnei Liberate de Oliveira, que nos últimos 17 anos viveu da renda de seu estabelecimento na rodoviária.
Ao entregar as chaves, ele ainda não sabia onde pôr o mobiliário e a mercadoria retirados do bar. Provisoriamente, a pequena mudança estava na carroceria de uma caminhonete estacionada dentro de uma oficina. A Folha não localizou o comerciante Antonio Davanso Figueiredo (que desde 1975 mantém um misto de lanchonete e banca de revista na rodoviária – o Bar do Toninho), único do grupo que pleiteou na Justiça o direito de continuar no local e um dos principais personagens da polêmica que dividiu a cidade.
O advogado de Toninho, Maurício Schnaid, disse que aguarda uma comunicação oficial da Justiça para contestar a ação, o que consequentemente levaria o caso novamente a juízo. A briga passaria então a ser por uma possível indenização para os ‘‘despejados’’. Schnaid descartou a possibilidade de entrar com mandado de segurança para cassar a liminar. A esperança de cliente e advogado é a instalação de fato de um processo paralelo para analisar se os comerciantes seriam comodatários ou locatários.
A procuradora jurídica do Município, Neuci Aparecida Mungo, confirmou que a prefeitura está se preparando para esta segunda fase de disputa judicial, contestando o interdito proibitório que reivindica uma multa diária no caso de desocupação do imóvel.
Enquanto a batalha jurídica não recomeça, a direção da construtora Indarc está prevendo que até o final de dezembro a obra, de R$ 420 mil, estará concluída, fato que afastaria a hipótese da obra ser interrompida por repasse de verbas do Paraná Urbano na próxima administração municipal. Trabalharão no canteiro 25 operários. Hoje, começa a arregimentação da mão-de-obra, quase toda de Rolândia.

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