Baseando-se na premissa de que todos devem unir forças contra a criminalidade, comerciantes e a PM (Polícia Militar) de Londrina têm obtido ótimos resultados na prevenção de crimes ao criar grupos em aplicativos de mensagens.

Na cidade existem pelo menos seis grupos no WhatsApp com integrantes do comércio e PM. Um dos mais antigos é o Centro Seguro, criado em 2016 e formado por quase 300 comerciantes. Hoje é administrado em conjunto pelo Sincoval (Sindicato do Comércio Varejista de Londrina e Região) e Acil (Associação Comercial e Industrial de Londrina). No entanto, o mais numeroso é o administrado pela 4ª Companhia Independente da Polícia Militar, que reúne 600 pessoas da zona norte.

 Grupo da zona norte é o mais numeroso: tem a participação de 600 lojistas
Grupo da zona norte é o mais numeroso: tem a participação de 600 lojistas | Foto: Gustavo Carneiro - Grupo Folha

Um dos casos que mostra como essa parceria funciona aconteceu há poucas semanas, quando um trio furtou mercadorias de uma loja do Centro. Um motorista que passava em frente avisou a proprietária da loja, que, por sua vez, comunicou o furto no grupo de WhatsApp, descrevendo como eram os bandidos. “Logo que coloquei o áudio, os outros lojistas foram acompanhando a movimentação do trio a distância, inclusivo filmando com o celular. Eles foram fotografados com os objetos na mão, o que ajudou os policiais na identificação”, relata a comerciante.

Os policiais que estavam no grupo foram repassando as informações para seus colegas em patrulhamento. “Foi tudo rápido. Em 30 minutos eles estavam presos”, destaca. Segundo ela, vale a pena integrar esse grupo. “Um ajuda o outro. De certa forma me sinto segura.Da mesma maneira que me ajudaram, eu ajudo os outros.”

‘Fecha-se o cerco com mais rapidez’

O diretor de Marketing do Sincoval, Gilberto Mensato, um dos administradores do Centro Seguro, ressalta que há critérios para entrar no grupo. “Realizamos um cadastro com dados pessoais e também com o nome da empresa onde trabalha. Só entra comerciante mesmo”, reforça. "A proximidade do policial com o cidadão é fundamental. A gente percebe o quão é importante fazer esse trabalho.”

O diretor comercial da Acil, Angelo Pamplona da Costa, afirma ser fundamental que a vítima de furto também acione a PM pelo fone 190. “Com essa prática de ligar no 190, fecha-se o cerco com mais rapidez. A grande importância desse grupo é a união entre os lojistas. O caminho dos bandidos começa a ser acompanhado pelos demais comerciantes conforme eles se deslocam”, ressalta.

De acordo com Costa, há planos de colocar adesivos nas lojas indicando que os comerciantes participam do grupo de WhatsApp.

Imagem ilustrativa da imagem Comerciantes de Londrina e PM conectados contra roubos
| Foto: Reprodução

Comunicação oficial pelo 190

O comandante do 5º Batalhão da PM, major Nelson Villa Junior, reforça que o grupo de WhatsApp não substitui a comunicação ao 190. “São duas ferramentas que se complementam e de extrema importância. Mas a comunicação oficial é pelo 190. Por meio dele há o registro da ocorrência e o radio-operador articula todos os apoios necessários, faz os cercos e procura os canais de comunicação mais adequados. Isso viabiliza a agilidade do resultado”, destaca.

Segundo ele, essa rede de comerciantes permite o compartilhamento de fotos e vídeos dos suspeitos e todo esse material coletado é positivo. “A ressalva que fazemos é que as pessoas não se exponham. O uso dessas ferramentas deve ser feito com muito cuidado. Às vezes, a pessoa empolgada decide intervir, mas isso deve ser feito pela polícia.”

O comandante entende que é preciso avançar ainda mais. “O correto seria a realização de reuniões esporádicas com os policiais que fazem parte do grupo de WhatsApp em seu bairro. Isso está em nosso planejamento para ser implantado em breve. A polícia precisa da comunidade para ter sucesso. E a comunidade precisa da polícia para intervir nesses casos.”

Zona norte apresenta resultados

O subcomandante da 4ª CIPM (4ª Companhia Independente da Polícia Militar), Ricardo Eguedis, enumera que no grupo de WhatsApp que administra, na zona norte de Londrina, recentemente uma pessoa foi detida por roubo a um supermercado. “Tivemos também o caso da prisão de uma pessoa que estava roubando farmácias aqui na zona norte e que também conseguimos chegar a ele com informações do WhatsApp”, observa.

Eguedis ressalta o pioneirismo do uso de WhatsApp na região pelo agora major Marcos Tordoro. Quando ele era capitão, em 2014, implantou o projeto “Bolo de Fubá”, que desenvolveu o conceito de policiamento comunitário, em que os PMs tinham autonomia para entender os problemas específicos de cada bairro. Assim poderiam desencadear ações para buscar soluções que vão de encontro com as demandas apresentadas.

O primeiro local a receber o projeto foi Rolândia (Região Metropolitana de Londrina). Em Londrina, o primeiro bairro a utilizar o WhatsApp foi o Jardim Colúmbia (zona oeste), em 2015.

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