Comerciantes da Rua Comendador Araújo, centro de Curitiba, se dizem em pânico com a violência de gangues de menores de rua, comandadas por adultos. O números de assaltos atrapalha os negócios e põe medo em clientes, por ironia, numa das ruas mais tradicionais da capital e que passou, recentemente, por um processo de revitalização patrocinado pela Prefeitura.
Marcelo AlmeidaRafael Ghignone diz que a situação é ‘‘intolerável’’O comerciante Rafael Ghignone e Silva disse ontem que a situação é ‘‘intolerável’’. No sábado, ele viu uma cliente de sua charutaria, Tesoros de Cuba, ser assaltada. Dias antes, foi a vez da mãe dele. ‘‘A sensação de insegurança é muito grande‘‘, afirmou Rafael, que propõe a instalação de um tótem nas imediações ou policiamento ostensivo.
O pai de Rafael, o comerciante Luiz Machuca da Silva, diz ter feito um levantamento com os comerciantes da Rua Comendador Araújo. ‘‘Eles convivem com isso há muitos anos’’, afirmou Silva, que disse ter ligado para cerca de 40 pessoas. A balconista da loja Karina Cosméticos Ariane Kroth confirmou a versão de Machuca. Segundo ela, são frequentes os assaltos, embora nem sempre sejam praticados por menores de rua. ‘‘Quem mais furta aqui são homens e bem vestidos’’, disse.
Para se proteger dos ‘‘gatunos’’, Ariane disse que ela e outra vendedora têm que se revezar na porta da loja. Segundo a vendedora, os menores entram, pegam os produtos e saem correndo. Já os adolescente e os ‘‘homens bem vestidos’’ furtam em grupo, de três ou quatro. ‘‘Enquanto um distrai o vendedor, os outros furtam os produtos’’, disse. ‘‘Eles levam tudo que está à mão.’’
Marcelo AlmeidaAriane Kroth: quem mais furta são homens bem vestidosAlém dos furtos, o comerciante Machuca da Silva disse que começa a proliferar na região a prostituição de menores. Segundo ele, cerca de 90% dos integrantes das gangues são homens. Os 10% restantes seriam mulheres, a maioria menores, que estariam se prostituindo.
O comandante do Policiamento da Capital, coronel Justino Henrique Sampaio Filho, argumenta que a PM prende os menores e os encaminha aos orgãos competentes, mas os infratores voltam rapidamente às ruas. ‘‘É preciso que esses menores sejam encaminhados a instituições e permaneçam nelas. A legislação, no entanto, permite aos adolescentes que não querem ficar voltar para as ruas’’, afirmou.
Apesar disso, o coronel disse que o policiamento será reforçado. Afirmando que o problema é mais amplo do que o simples aumento de policiais na rua, Sampaio diz que grande parte das vítimas têm parte da culpa por não dar queixa dos crimes.

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