Os comerciantes da rua Celso Garcia Cid, no trecho entre a rotatória da Souza Naves e o início da rua Mato Grosso (centro), acusaram uma queda de mais de 60% nas vendas e negócios em geral, no último mês. Segundo eles, a culpa é do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul), responsável pela readequação viária da região que proibiu o estacionamento no local. Eles querem que a prefeitura libere novamente o trecho para estacionamento e estão dispostos a recorrer à Justiça para garantir o atendimento da reivindicação.
Até antes das modificações, os carros podiam estacionar no acostamento dos dois lados da pista. Na tentativa de sensibilizar o poder público para o problema, os comerciantes organizaram um abaixo-assinado com mais de 100 assinaturas, incluindo a de clientes que também ficaram descontentes com as mudanças. O documento foi encaminhado ao prefeito Antonio Belinati na quarta-feira. ‘‘A rua está morta e agora só serve para recreio’’, reclama a proprietária da Martintas, Marileuza Martins.
Segundo a comerciante, o movimento da loja de tintas caiu em mais da metade. O proprietário de restaurante, Mauro Dias, acusa um prejuízo de mais de 70% no movimento. ‘‘Clientes que frequentavam meu estabelecimento há vários anos deixaram de aparecer. Sem ter onde parar, eles acabam optando por outro local, onde possam deixar o carro’’, diz. O mesmo problema é vivido pela sócia-proprietária de um salão de beleza, Rosemari da Silva que reclama de uma queda de mais de 80% no movimento.
Estacionar ficou proibido apenas no trecho entre a rotatória da rua Souza Naves e a rua Mato Grosso, situação que é vista pelos comerciantes como ‘‘discriminação’’. Eles reclamam também da falta de ‘‘flexibilidade’’ dos guardas da companhia de trânsito. ‘‘Muitas pessoas estão tão acostumadas a estacionar aqui que nem percebem as placas. Em vez de informar e explicar que houve mudanças, os guardas multam e até destratam os motoristas’’, afirma Marileuza Martins. A comerciante conta que, no início da semana, guarda e motorista ‘brigaram’’ e a questão quase acabou na delegacia de polícia.
Marileuza Martins esclarece que o diretor técnico do Ippul, Juan Monastério, alega que a rua é muito estreita, não comportando estacionamento nas laterais sob pena de sobrecarregar o fluxo de veículos na rotatória. ‘‘Não há justificativas para a mudança. Trabalho aqui há 27 anos e esta rua nunca sofreu com engarrafamento; mesmo tendo estacionamento dos dois lados.’’
Os comerciantes sugeriram que o Ippul faça experiência permitindo o estacionamento nas duas pistas, como antigamente. ‘‘Temos certeza de que não haverá problemas’’, diz. E o instituto ficou de estudar a viabilidade da experiência. ‘‘Vamos aguardar a decisão do Ippul, mas se não houver acordo vamos procurar a justiça. Se continuar deste jeito, a prefeitura vai estar inviabilizando o nosso trabalho’’, afirma Marileuza Martins, em nome do grupo de comerciantes.
A Folha tentou ouvir diretores do Ippul sobre o problema, mas a informação no Instituto era de que a pessoas que podiam dar entrevista estavam viajando.

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