Comerciantes criticam projeto do governo
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2002
Luciano Augusto Reportagem Local 
O projeto de lei que prevê a reserva de 80% das vagas das universidades estaduais para estudantes que residem no Estado não foi bem recebido pelos setores de comércio e de hotéis em Londrina. O prejuízo com a medida poderá chegar pelo menos aos R$ 3 milhões na época do vestibular, segundo avaliação preliminar do Sindicato dos Hotéis, Bares, Restaurantes e Similares de Londrina.
É um prejuízo muito importante para o setor e vai significar menos emprego e menos investimento, destacou o superintendente do sindicato, Alzir Bocchi. E ele foi mais longe, afirmando que todo o segmento de comércio e serviço do Paraná será afetado drasticamente, porque as divisas provenientes de outros Estados vão diminuir, com a queda no número de forasteiros inscritos nos processos seletivos. Como janeiro e julho são meses tradicionalmente de pouco movimento, são os estudantes de outros estados que movimentam a economia local.
No vestibular de julho de 2001 da Universidade Estadual de Londrina (UEL), por exemplo, 51,7% dos 28.974 candidatos inscritos vieram de outros estados. Uma minoria de 48,30% dos vestibulandos era paranaense.
Para Bocchi, o projeto é inconstitucional porque tolhe o direito de estudantes de outros Estados de tentarem ingressar na Universidade que mais os agrada. É uma jogada política do Governo do Paraná, com impacto popular para sair do ostracismo dos últimos meses, acusou Bocchi.
O presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), George Hiraiwa, lembrou que, na prática, os estudantes paranaenses já ocupam a grande maioria das vagas nas universidades estaduais. Na UEL, 72% dos universitários são do Estado. Na Universidade Estadual de Maringá (UEM), esse número sobe para 82% e na Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), em Cascavel, 92% dos estudantes são paranaenses.
Hiraiwa avaliou que seria mais interessante o governo investir no ensino médio, para dar mais competitividade ao estudante do Estado. Isso seria a coisa mais correta e concreta. Num mundo tão globalizado, estamos retrocedendo com esse projeto, completou.


