O projeto de lei que prevê a reserva de 80% das vagas das universidades estaduais para estudantes que residem no Estado não foi bem recebido pelos setores de comércio e de hotéis em Londrina. O prejuízo com a medida poderá chegar pelo menos aos R$ 3 milhões na época do vestibular, segundo avaliação preliminar do Sindicato dos Hotéis, Bares, Restaurantes e Similares de Londrina.
‘‘É um prejuízo muito importante para o setor e vai significar menos emprego e menos investimento’’, destacou o superintendente do sindicato, Alzir Bocchi. E ele foi mais longe, afirmando que todo o segmento de comércio e serviço do Paraná ‘‘será afetado drasticamente’’, porque as ‘‘divisas’’ provenientes de outros Estados vão diminuir, com a queda no número de forasteiros inscritos nos processos seletivos. Como janeiro e julho são meses tradicionalmente de pouco movimento, são os estudantes de outros estados que movimentam a economia local.
No vestibular de julho de 2001 da Universidade Estadual de Londrina (UEL), por exemplo, 51,7% dos 28.974 candidatos inscritos vieram de outros estados. Uma minoria de 48,30% dos vestibulandos era paranaense.
Para Bocchi, o projeto é inconstitucional porque tolhe o direito de estudantes de outros Estados de tentarem ingressar na Universidade que mais os agrada. ‘‘É uma jogada política do Governo do Paraná, com impacto popular para sair do ostracismo dos últimos meses’’, acusou Bocchi.
O presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), George Hiraiwa, lembrou que, na prática, os estudantes paranaenses já ocupam a grande maioria das vagas nas universidades estaduais. Na UEL, 72% dos universitários são do Estado. Na Universidade Estadual de Maringá (UEM), esse número sobe para 82% e na Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), em Cascavel, 92% dos estudantes são paranaenses.
Hiraiwa avaliou que seria mais interessante o governo investir no ensino médio, para dar mais competitividade ao estudante do Estado. ‘‘Isso seria a coisa mais correta e concreta. Num mundo tão globalizado, estamos retrocedendo com esse projeto’’, completou.

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