Comerciantes cobram ações mais efetivas contra pichadores
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quarta-feira, 21 de agosto de 2013
Érika Gonçalves<br>Reportagem Local 
Londrina - Uma semana após o lançamento da força-tarefa contra a pichação, envolvendo as polícias Militar (PM) e Civil, Guarda Municipal (GM) e Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), parece que nada mudou. Entre os comerciantes que foram alvo dos pichadores, a sensação é de desamparo e de que muito precisa ser feito para que a situação realmente apresente resultados.
O estabelecimento da comerciante Sílvia Harano é localizado em uma esquina e as duas fachadas foram vandalizadas. Mesmo com o flagrante de um morador da região, os pichadores não foram presos. A ação também foi filmada pelas câmeras de segurança da loja.
"A pichação foi feita em dois dias. A câmera flagrou seis jovens, por volta das 4 horas, bem vestidos e com mochilas nas costas. Dois ficaram na rua, vigiando, enquanto os outros picharam. Nas verdade eles não usaram só o spray, mas tinta também. No mesmo dia que fizeram aqui, foram em outras lojas. Uma pessoa viu e chamou a polícia, mas quando eles chegaram, os meninos já tinham ido embora. "Eles acabaram flagrando um outro rapaz, que tinha quebrado o vidro para nos roubar, mas que acabou solto", conta Sílvia. Ela disse que não procurou a polícia para levar as imagens da câmera. "Se o ladrão foi solto, imagina se alguém vai se preocupar com pichadores?".
Sílvia não estava sabendo da força-tarefa, mas acredita que a questão vai além. "A educação tem que começar cedo, em casa. Acredito que quem sai pichando é quem tem dinheiro e tempo sobrando, por isso a importância dos pais monitorarem seus filhos", destaca.
Cláudio Soares da Silva é síndico de um edifício que teve uma das laterais marcada pelos pichadores, que também usaram tinta. "Eles foram muito silenciosos, ninguém ouviu nada. Por acaso uma moradora foi na janela e viu. Acho bom proibirem a venda (de spray) para menores de idade, mas a pena tem que ser mais severa. A pessoa deveria ter que pagar os gastos que tivermos com a pintura. Aqui não sei como vamos fazer, porque essa tinta é especial, uma mistura de duas outras. Entre material e mão de obra devemos gastar R$ 4,5 mil, não posso ficar aumentando o condomínio assim", explica.
A aposentada Ondina Lima Silva é moradora do mesmo edifício e lamenta não só pelo local onde mora mas também pela cidade como um todo. "Percebo que aumentaram bastante os casos, é um desrespeito com a população. Um dos nossos vizinhos tinha acabado de reformar a loja e logo ela foi pichada, é um absurdo. A força-tarefa pode ajudar, mas precisamos de mais vigilância."
Ademir Hipólito, gerente de um estacionamento na região central, acredita que sem uma pena mais severa o problema não será resolvido. "É uma boa começar penalizando o vendedor, mas a punição tem que ser mais severa para quem pichar. Aqui foi umas quatro ou cinco vezes, nas primeiras refizemos a pintura, mas agora vamos esperar. E não foi somente durante a noite, nem somente com spray. Usaram pincel atômico para rabiscar durante o dia mesmo. Antes as câmeras nem estavam programadas para isso, mas agora já as reposicionamos, na tentativa de flagrar alguém", conta.
Baixa adesão
Na manhã de ontem, na Acil, foi promovida uma palestra direcionada aos comerciantes de tintas e sprays, para orientá-los sobre a legislação específica para o setor. Porém, apenas uma logista compareceu, além de uma professora, que está trabalhando o tema com os alunos.
Dona de uma loja de tintas na região central, Juliana Rissi da Cruz esperava que mais comerciantes tivessem comparecido, mas não se arrependeu de ter ido. "Em geral nosso público é formado por adultos, pessoas que usam o spray no seu trabalho, como para pintar motores ou outras peças automotivas, mas às vezes aparece um adolescente, dizendo que quer pintar a bicicleta, por exemplo. Sabemos que não é permitido a venda para menores de idade e também fazemos a identificação da nota fiscal", explica.
Já a professora de Arte e orientadora educacional Marisa Dantas Oliveira, da Escola Estadual Newton Guimarães, conta que está sendo desenvolvido um projeto para pintar os muros do colégio com reproduções de obras de arte. O objetivo é passar os conceitos de arte e também tentar proteger os muros da pichação. "Eles estão estudando as obras que serão reproduzidas e também estamos falando sobre a pichação e o grafite. Vim para ver as sanções para quem é pego pichando, para passarmos para os alunos. Lá estamos vendo como iremos fazer o projeto, pois tememos que assim que pintarmos o muro para receber as obras, alguém poderá pichar antes", lamenta.
SERVIÇO
■ Denúncias e reclamações sobre pichação podem ser feitas para 153 (Guarda Municipal), 197 (Polícia Civil) ou 190 (Polícia Militar)


