Comerciantes atendem atrás das grades
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 14 de novembro de 2000
Alexandre Sanches De Londrina 
A instalação de grades grossas de ferro nas portas da padaria foi a solução encontrada pelo comerciante Luiz Antônio Refundini, 46 anos, para impedir os assaltos. O estabelecimento, localizado próximo ao Residencial das Américas (zona norte de Londrina), foi assaltado cinco vezes em dois anos. Desde que reforçou a segurança, há cerca de dois meses, Refundini só permite a entrada de clientes conhecidos ou que não lhe pareçam suspeitos.
O proprietário inspirou-se no sistema usado em portarias de edifícios, liberando a entrada aos clientes através de um dispositivo instalado no caixa. A gente conhece toda a vizinhança e isso torna o nosso serviço mais fácil, comentou. Ele acredita que as grades inibiram os assaltos e comentou que estabelecimentos vizinhos foram roubados recentemente. Os próprios clientes me cobravam mais segurança, pois os assaltantes entram armados e ameaçam a todos, salientou.
As grades custaram aproximadamente R$ 500,00 e Refundini acredita que o gasto será revertido em lucro em pouco tempo. A grade impõe respeito. É difícil as pessoas tentarem me assaltar. A idéia é tão boa que o dono de uma locadora vizinha está colocando grades da mesma forma, afirmou. A meta de Luiz Refundini é, em breve, instalar câmeras de vigilância.
O comerciante garante que não é ruim a sensação de ficar atrás das grades. A culpa dos assaltos não é a falta de policiamento, mas sim da legislação brasileira que permite que estes assaltantes, principalmente os menores, ganhem a rua rapidamente e voltem à marginalidade.
O vizinho de Refundini, João Batista Ferreira, 42 anos, proprietário de um supermercado, afirma que em breve vai adotar as grades. Há duas semanas ele foi assaltado por homens armados o quarto assalto registrado no estabelecimento. Aqui passam muitos maloqueiros. A gente chama a polícia e é comum eles prenderem os assaltantes e trazerem para a gente reconhecer. Isso nos expõe e aumenta o perigo, ressaltou.
A grande incidência de assalto, segundo Ferreira, é por causa das proximidades de uma favela e bairros vizinhos ainda com muitos terrenos vazios. Eles vêm para cá, assaltam e fogem para as matas em volta, dificultando a prisão. Nem o sistema interno de TV assusta os assaltantes.
Sábado à noite, o comerciante Luiz Antônio Silvério, 53 anos, foi assassinado na Vila Nova (área central), com um tiro no abdômen. Os assaltantes aparentavam ter menos de 18 anos e não levaram nada do estabelecimento. Este é o terceiro assassinato de comerciante nos últimos três meses. Em setembro, o proprietário de um mercado foi morto no Jardim Pinheiros (zona oeste) e em outubro, o dono de um bar foi assassinado no assentamento São Jorge (zona norte).


