Mario CesarLeonora Tirapelli comemorou a venda de roupas em frente ao Cemitério São Pedro, em Londrina: ‘‘Apostei no movimento e vendi bastante’’Longe das velas e do pé do túmulo, Finados foi também a festa dos vivos. A descontração na porta dos cemitérios em todo o Paraná tinha ares de feira, com barraquinhas de flores e vendedores de todos os tipos, que apostaram no faturamento com artigos que não dizem respeito à data.
Nas portas dos sete cemitérios de Londrina podia se encontrar quase tudo. Havia gente vendendo pastel, cachorro quente, sorvetes, maçã do amor e até roupas. Em Curitiba, distribuidores de panfletos e vendedores de pipoca e algodão doce dividiam espaço com guardadores de carros que alugavam terrenos baldios por R$ 1,00.
Esta foi a primeira vez que a costureira Leonora Tirapelli, 56 anos, investiu no feriado de Finados. Ela montou sua barraquinha de roupas na porta do cemitério São Pedro, em Londrina, e garante que valeu a pena. ‘‘Apostei no movimento e deu certo. Já vendi bastante ’, disse.
Mesma sorte não teve a florista Inês de Jesus, que trabalha num dos boxes em frente ao Cemitério Municipal, em Curitiba. ‘‘O dia de Finados representa o nosso 13º salário, mas o movimento não foi tão bom’’, queixou-se. Segundo Inês, três fatores prejudicaram as vendas este ano - o feriado prolongado, a competição com os supermercados e também o medo da dengue. ‘‘Tem gente que não quis flores porque achou que colocá-las em areia úmida, ao invés de potes d’água, seria um prejuízo’’, disse a florista.
Para o vendedor de algodão doce Ricardo Sampaio, a venda foi semelhante a de um domingo no Passeio Público, no centro de Curitiba. ‘‘Como as famílias trazem também os filhos, eu tento vender para eles’’, disse.
Mas não foram só os comerciantes que lucraram com a data. Nos arredores do cemitério São Pedro, em Londrina, meninos carentes aproveitavam para vender vasinhos de flores roubados dos túmulos. Bem organizados, trabalhavam em dois grupos. Um grupo dentro do cemitério se encarregava de surrupiar os vasinhos e passá-los, por cima do muro, para os outros que ofereciam a mercadoria aos visitantes.
‘‘No ano passado, enfeitei o túmulo do meu pai com vários vasos e, à tarde, quando voltei, não havia mais nada’’, comentou Dorcelina Moetin, 57 anos. ‘‘É um desrespeito com os mortos’’.
No Cemitério Municipal, em Curitiba, voluntários de instituições religiosas ofereciam santinhos para as pessoas, com orações e outras mensagens de alento. Entre eles, sorrateiramente, uma senhora, que preferiu não se indentificar, distribuía panfletos de um conjunto residencial construído pela empresa Cidadela. (I.R. e C.B.)

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