Israel Reinstein
De Curitiba
Comerciantes da região de Salto Caxias, no Oeste do Paraná, acamparam ontem em frente a sede administrativa da Copel, em Curitiba. Cerca de 120 pessoas de seis municípios vizinhos do lago da usina bloquearam a entrada da empresa, exigindo o pagamento da indenização de R$ 15 milhões pela construção da hidrelétrica. De acordo com os manifestantes, a estatal não teria cumprido um acordo, firmado há quase três anos. No entanto, a assessoria de imprensa da Copel informou que a empresa já ressarciu todos os prejudicados por Salto Caxias.
Por volta das 19 horas, oficiais de Justiça estiveram no local pedindo a saída dos manifestantes, porque a Copel havia solicitado a reintegração da área ocupada. O clima ficou tenso, e a decisão acabou sendo deixada para hoje. O empresário Clésio Viana, de Três Barras do Paraná, informou que os comerciantes ficam por tempo indeterminado, em Curitiba, até que seja estabelecido um cronograma de pagamento.
De acordo com Viana, estava definida a indenização de 815 comerciantes e profissionais liberais que foram prejudicados pela formação do lago da usina. ‘‘Quando houve o alagamento, a população dos municípios diminuiu drasticamente, com isso houve quebra em cascata’’, afirmou o coordenador do movimento em Boa Vista da Aparecida, Vilmar Madalosso. Ele argumentou que no estudo que autorizou a construção da usina, em 1993, estaria um capítulo que definia as indenizações dos trechos alagados.
No entanto, a assessoria de imprensa da Copel informou que a estatal pagou a todos que estavam dentro do que determina a lei. Pelo critério estabelecido, foram beneficiados os empresários e agricultores que viviam numa faixa de 1,5 quilômetros do lago da usina. Outros comerciantes, que conseguiram provar prejuízo nas vendas, por meio de documentos, também foram indenizados, mesmo estando mais afastados da hidrelétrica. A Copel gastou R$ 300 milhões com o reassentamento de 600 famílias.Moradores de Salto Caxias prometem ficar em Curitiba até que seja estabelecido um cronograma de pagamento de indenização
Alessandra HaroPreocupaçãoPoliciais militares foram mobilizados para garantir a ordem na entrada da sede da Copel, ocupada na manhã de ontem

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