Comerciante viveu mesmo drama
Milton DóriaPara reflexãoSandra Maria Ferraz: Que misericórdia é essa que deixa uma criança morrer nos braços da mãe?A comerciante Sandra Maria Ferraz disse ontem à Folha que já vivenciou na Santa Casa a mesma situação de falta de atendimento que aconteceu com a menina Michele Rodrigues. Sandra conta que há dois meses levou o neto, que estava então com 10 meses, para ser atendido na Santa Casa, e acabou tendo que procurar um posto de saúde porque a criança não tinha plano de saúde.
Segundo Sandra, o menino estava com abscessos no bumbum, tinha febre e chorava muito de dor. Quando entrei na Santa Casa, a primeira pergunta que fizeram foi se era particular ou por convênio. Ao dizer que era pelo SUS, me falaram para procurar o posto de saúde José Belinati. Ninguém perguntou o que a criança tinha, nem se dispôs a fazer um exame de triagem, diz.
No posto José Belinati, Sandra conta que o menino foi examinado por um médico e encaminhado para o Hospital Infantil, já que o caso era para atendimento hospitalar. Achei um absurdo o que fizeram comigo na Santa Casa. No Hospital Infantil, fiquei esperando mais de duas horas porque era pelo SUS. Até a sala de espera é diferenciada do povo que paga. Quando li no jornal a notícia da morte da garota, me pus no lugar dessa mãe e fiquei indignada. O caminho da Santa Casa para o José Belinati não leva dez minutos; portanto, a menina já estava morrendo quando chegou à Santa Casa. É preciso fazer alguma coisa porque eles fazem isso geralmente com pessoas humildes e ninguém fica sabendo.
Sandra diz que quando leu no jornal a justificativa da Santa Casa de que os casos de emergência são atendidos, ficou pensando: se ninguém examinou a criança, como o funcionário sabe se é ou não caso de urgência?
Não reclamei na época porque no fim foi tudo resolvido, mas quantas crianças não devem morrer por falta de atendimento? Que misericórida é essa a do hospital que deixa uma criança sair dali, sem atendimento, para morrer nos braços da mãe?





